ANJOS E DEMONIOS
Recentemente, discutimos fenômenos que ocorreram durante o desenvolvimento do povo bíblico. Nesse contexto, vários acontecimentos referiam-se a figuras que estavam além da compreensão da época, mas que o povo interpretava como anjos. Também se cogitou a existência de uma figura que foi denominada demônio. Além disso, mencionou-se a diferença entre anjos bons e anjos maus. Todas essas figuras míticas desempenharam um papel importante ao auxiliar o povo escolhido em sua jornada rumo ao desenvolvimento, sempre com a ajuda divina.
Esse assunto nos leva a investigar o desenvolvimento humano e a compreender o que realmente são essas figuras às quais nos referimos. Para que isso seja possível, devemos nos atentar ao emaranhado que ocorre no desenvolvimento do ser humano. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o ser humano é composto de espírito e matéria. A matéria, por sua vez, se desaglomera facilmente e pode se fundir novamente ao conjunto de onde se originou. Já o espírito, que tem sua origem no espírito divino do Criador, não se desaglomera, pois se trata de um elemento imaterial, assim como seu Criador.
Sendo o espírito imaterial, ele só pode se manifestar por meio da matéria que o acompanha, a qual pode estar tanto no estado físico denso, como é conhecido atualmente, quanto em um estado sutil ainda desconhecido pelo ser humano nesta fase de evolução. O ser humano se desenvolveu ao longo de milhões de anos, surgindo inicialmente como parte do reino mineral, depois integrando o reino vegetal e, finalmente, adentrando o reino animal, onde alcançou o livre-arbítrio. Atualmente, ele se encontra em uma fase em que já possui vontade própria e desfruta de conhecimentos avançados que a ciência lhe proporciona, incluindo informações sobre sua origem.
A fagulha divina, por ser imaterial, não possui sensibilidade intrínseca; essa capacidade é proporcionada pela matéria que a acompanha. É a matéria que permite à fagulha divina perceber, por meio das experiências diárias, o que ocorre durante sua permanência enquanto realiza seu trabalho de experimentação, buscando libertar-se definitivamente da companhia da matéria.
A matéria que acompanha a fagulha divina mantém oculta a sabedoria divina, permitindo que, por meio das práticas diárias, essa sabedoria se revele gradualmente. Essa longa jornada é necessária para que o Criador possa se expandir, e isso ocorre por meio de suas fagulhas, que, ao longo do tempo, vivenciam os atos cotidianos, aprendendo a caminhar dentro das regras da harmonia. Assim, elas buscam o aperfeiçoamento e, ao final, poderão se integrar novamente ao Criador, agora perfeitas e livres da matéria, contribuindo para a sua expansão.
O planeta Terra, por também ser uma individualidade, carrega em si uma fagulha divina desde o momento em que iniciou sua existência. Para que seu desenvolvimento ocorra, é necessária uma ajuda externa que se faz presente desde o princípio do planeta. Essa assistência é prestada por uma equipe de individualidades que já alcançaram a segunda fase de evolução e que atuam sem a utilização do corpo físico, originado dos elementos terrestres.
Essa equipe de auxílio é composta por seres que habitam o mundo espiritual, onde formam seus campos de trabalho. Essa formação está institucionalizada na matéria sutil que compõe o universo e está disponível para que as individualidades possam utilizá-la em suas necessidades organizativas.
Essa equipe, que se dispôs a auxiliar no desenvolvimento de um novo planeta, normalmente o acompanha durante os primeiros momentos em que as condições começam a se formar. Esse processo é fundamental para que ocorram as primeiras individualizações que darão origem ao reino mineral, seguido pelo reino vegetal e, por fim, pelo reino animal. Os auxiliares estão presentes para prestar assistência e oferecer instruções quando necessário, durante todo o período de desenvolvimento das individualidades.
A inteligência suprema que está embutida na individualidade conhecida como Gaia, ou Planeta Terra, orienta seu desenvolvimento ao longo do tempo, com o objetivo de organizar-se e dividir-se. Assim, cada individualidade resultante continua a ser guiada pela Inteligência Suprema e, dessa forma, aperfeiçoando-se. Todo o desenvolvimento que ocorre no planeta está sujeito à vontade da Inteligência Suprema.
Esse processo de desenvolvimento se dá em etapas. A primeira delas é a formação do reino mineral, que, à medida que se desenvolve, fornece a base para o surgimento do reino vegetal. Esse ciclo continua até a formação do reino animal. O ápice desse desenvolvimento é a criação das individualidades, que, aos poucos, adquirem o livre-arbítrio. Com a Inteligência Suprema atuando mais diretamente nelas, essas individualidades percorrem um longo caminho de aperfeiçoamento, alcançando uma evolução que, ao ser aprimorada, as leva a transitar para uma nova etapa de desenvolvimento, denominada segunda fase de evolução.
Nessa fase, as individualidades que já se desenvolveram o suficiente continuarão seu progresso de forma diferenciada, ou seja, agora sem a utilização da matéria densa que até então usavam para realizar suas percepções. Continuarão no planeta, mas desta feita integrando a matéria sutil que também faz parte dele, porem num nível mais elevado de aprendizado evolutivo.
Nesta fase, as individualidades que já se desenvolveram o suficiente continuarão seu progresso de forma diferenciada, ou seja, agora sem a utilização da matéria densa que até então empregavam para realizar suas percepções. Permanecerão no planeta, mas, desta vez, integrarão a matéria sutil que também faz parte dele, porém para um nível mais elevado de aprendizado evolutivo.
Desde o início desse processo, as fagulhas divinas já possuem um corpo físico, constituído pela matéria do planeta. Ao atingirem um determinado nível de evolução, elas alcançarão o livre-arbítrio e, a partir desse momento, poderão receber diretamente a orientação necessária para seu aperfeiçoamento. Após a obtenção do livre-arbítrio, essas entidades instrutoras utilizarão meios sofisticados de intercâmbio. Seus interlocutores no mundo físico são reconhecidos por sua sensibilidade ou mediunidade. Essas comunicações ocorrem porque a individualidade que possui um corpo físico não consegue interagir no mesmo nível das entidades organizadoras.
Neste estágio mais avançado do processo de desenvolvimento, as comunicações entre o mundo espiritual e o físico tornam-se essenciais. Os assistidos precisam de orientações mais adequadas para que suas observações sobre as instruções a serem dadas sejam compreendidas. Isso é fundamental para que possam obter resultados que atendam às suas necessidades individuais, permitindo que ajam de maneira a caminhar em um ritmo mais harmonioso.
Devido ao fato de que essas comunicações são realizadas por pessoas com dons especiais, os demais podem não compreender como isso ocorre e, por isso, fazem conjecturas sobre o processo dessas comunicações. Às vezes, o próprio sensitivo utiliza figuras de linguagem para ajudar seus ouvintes a entender que a orientação provém de um lugar ao qual muitos não têm acesso. Essa condição leva o interlocutor a afirmar que as instruções vêm diretamente de Deus, muitas vezes atribuindo um nome a essa divindade, com a expectativa de que os ouvintes aceitem melhor essas orientações do que se fossem ditadas pelo próprio interlocutor.
Cada povo tem sua própria maneira de interpretar as instruções que recebe, e é por isso que existem tantos contos provenientes dos mais variados grupos ao redor do mundo. Focando no povo bíblico, eles também possuem uma forma única de interpretar as mensagens transmitidas por intermediários. Atualmente, no Brasil, onde a maioria das pessoas segue os princípios do cristianismo, tudo acontece dentro dessa linha de pensamento, que é marcada por ensinamentos cristãos predominantes.
No meio cristão, desde o início da era moderna, surgiram diversas comunicações espirituais, muitas das quais foram consideradas bruxaria, como no caso de Joana d’Arc, que foi queimada viva. Vários eventos significativos ocorreram próximo ao século XIX, quando novas manifestações espirituais ganharam destaque em diferentes partes do mundo. Um exemplo notável é o fenômeno das irmãs Fox, nos Estados Unidos, que possibilitaram a comunicação espiritual por meio de batidas, prática conhecida como tiptologia.
Na França e em alguns outros países da Europa, surgiram fenômenos desconhecidos, cuja origem não era claramente compreendida. Nesse período, destacou-se o educador Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec, fundador da Doutrina Espírita. Foi por meio dessa doutrina que se aprofundou o estudo sobre a comunicação entre o mundo físico e o mundo espiritual. No Brasil, também ocorreram eventos que levaram estudiosos a buscar mais informações sobre esses fenômenos; tanto é que essa doutrina se espalhou amplamente pelo país. Nela, aconteceram uma infinidade de eventos relacionados à comunicação entre os mundos, possibilitando que diversos médiuns escrevessem, por meio da psicografia, uma série de livros que explicam como esses fenômenos ocorrem. O mais famoso deles foi Francisco Cândido Xavier, um mineiro que psicografou centenas de obras, nas quais detalha como se dão esses fenômenos.
Muitos estudiosos têm explorado o universo dos fenômenos diferenciados, analisando-os sob uma perspectiva técnica e científica. Diversos pesquisadores argumentam que determinados fenômenos de cunho espiritual podem ser explicados apenas por meio de instrumentos físicos. O estudo dos fenômenos paranormais é realizado por parapsicólogos e grupos de pesquisa dedicados. A psicologia anomalística é uma vertente da psicologia que investiga experiências humanas raras, frequentemente referidas pela cultura popular como paranormais. Esses fenômenos desafiam a explicação científica e incluem eventos como telepatia, premonições, poltergeists, aparições de fantasmas, entre outros.
O povo africano que se radicou no Brasil trouxe consigo a capacidade, de alguns de seus membros, de se comunicar com seres que habitam planos onde o corpo físico não é utilizado. Essas reuniões têm como objetivo buscar recursos para se livrar de doenças que são difíceis de tratar pela medicina convencional. No Brasil, tornou-se uma prática comum a busca por pessoas dotadas de mediunidade, visando resolver os mais diversos problemas, a ponto de charlatães se aproveitarem desses mecanismos em benefício próprio.
Os indígenas também buscavam utilizar de fenômenos extraordinários para estabelecer curas e comunicações com o desconhecido. Até hoje, o povo indígena recorre a práticas que envolvem fenômenos ainda não compreendidos pela ciência, os quais oferecem suporte na solução de problemas relacionados ao ser humano e às dificuldades que surgem no cotidiano. É comum fazerem algumas práticas em que utilizam ervas específicas para alcançar resultados que beneficiem esses buscadores. Muto comum também fazerem determinados atos onde reverenciam a natureza, meditações que elevam seus sentimentos na busca tranquilidade e paz.
Todos os fenômenos desconhecidos geram grande expectativa entre seus observadores. Um dos principais fenômenos é a comunicação entre os portadores de corpo físico e aqueles que se encontram despidos desse corpo. É importante compreender que essa comunicação pode ocorrer entre entidades sem corpo físico que estejam em um estado evolutivo superior, permitindo que transmitam informações que resultem em uma melhor compreensão desse estado.
Além disso, é possível que alguns seres despidos do corpo físico se conectem a humanos que compartilhem uma sintonia de compreensão e estejam em níveis semelhantes de evolução. Essa comunicação pode se dar por meio de conversas ou apenas por intuição, especialmente em casos de dificuldades comunicativas. A intuição ocorre quando uma individualidade se aproxima de outra, e para que isso aconteça, é necessário que o receptor manifeste comportamentos que reflitam o gosto por realizar as mesmas atividades que o comunicante e o desejo de que o outro também participe.
Se houver essa afinidade comportamental, o receptor agirá de acordo com as orientações do seu instrutor.
Quando falamos sobre essa influência, sua ação ocorre por meio do campo energético que cada indivíduo carrega. Se os níveis de compreensão evolutiva forem diferentes, o intuidor não terá sucesso, conseguindo isso apenas quando há uma afinidade em relação às mesmas questões a serem abordadas. Esse é um tema um pouco complexo, pois existem muitas nuances que, às vezes, não são claras em relação aos resultados esperados por ambas as partes na comunicação.
Há também comunicação entre seres que estão na segunda fase de evolução e aqueles que possuem um corpo físico. Nesse contexto, a comunicação tem como objetivo transmitir informações adequadas, evitando qualquer dado que possa comprometer o desenvolvimento do trabalho dos receptores. Normalmente, essas interações ocorrem com indivíduos que já possuem uma atividade predeterminada, a qual se originou durante sua estadia no mundo espiritual. No âmbito espiritual, existem seres mais evoluídos da segunda fase que colaboram com os da primeira fase, auxiliando-os em seu aprendizado e na organização exigida nesse ambiente. Não há interferência dos seres mais elevados na vontade dos menos elevados quando se trata de trabalho no mundo espiritual, são eles cumpridores da lei da harmonia, para que neste local haja a continuidade da paz que sempre reina.
Todos os seres da primeira fase de evolução prestam serviços em seu próprio planeta, enquanto aqueles da segunda fase têm a capacidade de atuar em outros planetas, conforme necessário. É importante ressaltar que, na Terra, existem seres da segunda fase de evolução provenientes de outros orbes, e todos têm a habilidade de trabalhar nos locais adequados e necessários para a implementação do conhecimento. Quando esses seres de outros planetas precisam concluir determinados estudos para efetivar seu aprendizado, eles podem utilizar a vestimenta física, que proporciona as sensações necessárias para realizar esse trabalho.
É importante destacar que os seres que já avançaram para a segunda fase de evolução não realizam atividades que possam interferir diretamente no livre-arbítrio dos habitantes do planeta que observam, exceto em casos extremos, nos quais são obrigados a intervir para evitar ações que comprometam a necessidade estabelecida pela lei da harmonia. Quando se afirmar que um ser extraterráqueo veio ao planeta com a intenção de causar prejuízos aos terráqueos, isso não corresponde à realidade. É bastante comum que seres que se encontram fora do corpo físico e que possuem uma evolução ainda muito baixa utilizem médiuns para se apresentarem como extraterráqueos, transmitindo assim informações incorretas àqueles que os escutam.
As individualidades que se encontram em um determinado nível de evolução, ao perderem o corpo físico, encontram do outro lado, no plano espiritual, realidades que se adequam às suas capacidades de compreensão. Por exemplo, uma individualidade que ainda não possui conhecimento sobre o mundo espiritual encontrará aquilo que representa seu entendimento; no caso de uma pessoa que concebe um céu ou um inferno, ela se verá automaticamente em uma região que reflete essa visão de realidade. Por outro lado, uma individualidade que sai abruptamente do corpo físico e acredita que ainda está nele pode permanecer nessa condição por um longo período, até que um trabalhador do mundo espiritual venha a lhe oferecer auxílio e a orientar sobre a verdadeira realidade. Por isso, é fundamental transmitir esse conhecimento àqueles que ainda não o possuem ou que têm dificuldades em compreendê-lo.
Existem fenômenos como as Experiências de Quase-Morte (EQMs), nos quais o ser humano se desconecta do corpo físico e adentra o mundo espiritual, ainda que por breves períodos. Durante esses momentos, ele pode vislumbrar um pouco sobre sua própria realidade e a do mundo espiritual. Muitas dessas experiências têm um caráter instrutivo, permitindo que os outros percebam, ainda que de forma limitada, essa nova realidade.
Nelas, é possível observar o nível de compreensão de cada indivíduo, pois, dependendo de seu conhecimento prévio, encontrará aquilo que sempre soube ou que é capaz de assimilar. Além disso, pode-se notar que entidades de menor nível evolutivo se manifestam com o objetivo de transmitir informações sobre o que ocorre no mundo espiritual.
No mundo espiritual, também existe a possibilidade de edificação de figuras míticas entre seus habitantes. Dependendo do nível de evolução da individualidade que se encontra nesse plano, ela pode utilizar meios para se ostentar como santo ou demônio. Essas figuras enriquecem o folclórico universo das entidades que exercem poder em locais de reunião no mundo espiritual. Além disso, formam-se colônias de espíritos que ainda se encontram em um estágio precário de evolução, criando suas “cidades” dentro do abrigo desse plano espiritual.
No mundo físico, estabelecem-se povoados que seguem ritmos de vida e costumes semelhantes. Da mesma forma, no mundo espiritual, onde a diversidade de habitantes é grande, existem individualidades que se agrupam para desfrutar de suas possibilidades. Muitas entidades, mais conhecedoras das maneiras de aterrorizar seus oponentes do passado, utilizam esses conhecimentos para constranger aqueles que são menos esclarecidos e vibram na mesma frequência.
A estadia no mundo espiritual é muito complexa, assim como a do mundo físico. No entanto, no mundo espiritual, há cerca de vinte vezes mais indivíduos do que no mundo físico, o que evidencia os problemas que realmente surgem nesse contexto. Nesse ambiente, as individualidades se encontram com mais facilidade, e é aí que surgem as cobranças por atos praticados durante a permanência no invólucro carnal.
Além de os espíritos se digladiarem no mundo espiritual, eles também podem, em certos casos, interferir nas individualidades que estão vestidas com o corpo físico, realizando seu trabalho de aprendizado. Como afirmamos em várias ocasiões, cada ato praticado resulta em uma resposta, e essa resposta fica visível para todos que desejam observar. Os problemas gerados pelas individualidades que ainda não conseguem se comportar de acordo com as regras da harmonia se agravam ainda mais quando essas individualidades estão distantes do corpo físico.
Uma recente pesquisa demonstrou que o número de exorcistas, clérigos responsáveis pela expulsão de demônios, credenciados pela Igreja Católica, tem crescido de forma impressionante.
Nesse contexto, todas as individualidades que utilizam suas capacidades para cobrar dívidas de outras pessoas, em função de problemas ocorridos anteriormente, são denominados espíritos malignos, pois se posicionam como cobradores e superiores aos seus devedores. Em algumas ocasiões, esses espíritos são chamados de demônios, uma vez que exercem certo poder sobre aqueles que ainda desconhecem a realidade espiritual. Assim, afirmamos que não existe uma figura única de demônio, mas sim seres de tão baixa evolução que se autodenominam dessa forma para impor respeito sobre aqueles que ainda não têm familiaridade com essas entidades.
De fato, desde o surgimento da civilização, observamos que as culturas ocidentais e orientais desenvolvem maneiras de explicar as mazelas que nos afligem. Nesse contexto, a construção de uma figura maligna acaba por incorporar os valores morais e comportamentos de menor prestígio em nossa cultura. Nas religiões cristã, judaica e islâmica, o mal se personifica na figura de um indivíduo que se opõe a Deus e busca atormentar a vida de todos os seguidores dessas tradições religiosas.
Para muitos especialistas, a construção da figura diabólica resulta das diversas dualidades que permeiam o cotidiano humano. O belo e o feio, a sorte e o azar, o certo e o errado, a vida e a morte compõem um jogo em que um lado assume uma conotação positiva, enquanto o outro, inevitavelmente, ocupa uma posição completamente negativa.
No século VI a.C., o profeta persa Zoroastro descreveu um ser chamado Arimã. Segundo suas palavras, Arimã era o “príncipe das trevas” e travava uma luta eterna contra Mazda, o “príncipe da luz”. Historiadores afirmam que esse aspecto da religiosidade persa foi incorporado pelos hebreus durante o famoso Cativeiro da Babilônia. Nesse contexto, a interação com a cultura estrangeira originou o termo “satan”, que em sua tradução literal significa “acusador” ou “adversário”.
Em um primeiro momento, o demônio hebraico não adota a postura estritamente aterrorizante que reconhecemos no cristianismo. Em diversas passagens do Velho Testamento, ele aparece como uma espécie de colaborador que recebe a autoridade divina para punir ou testar os fiéis seguidores de Javé. O sofrimento de Jó, que perdeu todas as suas posses e ficou adoentado, exemplifica essa postura inicial que o demônio assume no texto bíblico.
Da mesma forma, surgem as figuras de anjos no mundo espiritual, representando individualidades que, com um pouco mais de evolução, sempre buscam auxiliar as demais, amparando-as em suas dúvidas e dificuldades oriundas do mundo físico. Muitas dessas individualidades, já mais avançadas em seu processo evolutivo, atuam no mundo espiritual, dedicando-se a trabalhos de ajuda nesse contexto. Além disso, muitas delas também realizam um grande trabalho de apoio às individualidades que ainda estão encarnadas.
Na história do povo escolhido, existem diversas passagens nas quais o povo pôde perceber, por meio de demonstrações realizadas por médiuns e pessoas dotadas de maior sensibilidade, alguns feitos que remetiam a figuras celestiais, algumas das quais foram denominados anjos. Ao longo dessa trajetória, ocorreram os mais variados acontecimentos que geraram as designações de anjos ou demônios. Na realidade, essas denominações referem-se a individualidades que não possuem a vestimenta física; algumas ajudam, enquanto outras dificultam o progresso das individualidades encarnadas.
Da mesma forma, é possível analisar os acontecimentos retratados na mídia, nos quais os extraterrestres são apresentados como responsáveis por determinados eventos, como abduções e o suposto engravidamento de mulheres, com a finalidade de levar seus filhos, resultantes da mistura entre humanos e extraterrestres, para realizar mutações genéticas em benefício deles e da humanidade. Além disso, o extermínio de animais terrestres, por meio de ataques extremos que revelam um alto grau de sadismo, também pode ser interpretado como ações de extraterrestres. Na realidade, muitos desses relatos são mais fruto da imaginação de certos autores e da mídia, que buscam disseminá-los com o único intuito de lucrar de forma fácil.
Este é um jeito fácil de atribuir aos extraterráqueos a maldade que carregam dentro de si, ao lhes impor a prática de tais atos. O ser humano, ainda com pouco conhecimento sobre a realidade do mundo espiritual, se conecta facilmente a qualquer notícia sobre o fantástico. Isso ocorre porque é muito mais simples atribuir a forças desconhecidas os atos que provocam a desarmonia do que olhar para dentro de si e perceber que a maldade reside em cada um e não em entidades que, na verdade, apenas colaboram para que os seres humanos possam ter mais dignidade enquanto se preparam para uma mudança de fase.
É importante compreender que os extraterráqueos são individualidades que, no mínimo, se encontram na segunda fase de evolução. Eles trabalham em seu aprendizado sem a necessidade do corpo físico, pois já não precisam mais dele para esse processo, contando com a colaboração de outras individualidades que estão em fases inferiores. Essas individualidades podem oferecer assistência.
Entretanto, há casos em que os extraterráqueos desejam aprimorar ainda mais seu aprendizado. Para isso, com o apoio dos trabalhadores do mundo espiritual, planejam utilizar um corpo físico para desempenhar suas atividades. Agem de maneira semelhante àqueles que ainda estão na primeira fase, mas enfrentam as limitações impostas pelo corpo, razão pela qual não são reconhecidos pelos terráqueos.
Atualmente, ao aprofundarem seu aprendizado, aqueles que recebem um corpo físico passam pelo mesmo processo que os que ainda estão na primeira fase de evolução: o esquecimento de sua verdadeira essência. Eles utilizam a vestimenta física pelo tempo necessário para realizar esse aprimoramento. Após esse período, podem retornar ao seu planeta de origem ou continuar colaborando com os habitantes do planeta onde se encontram. Esses aprendizes podem permanecer na Terra por várias gerações, a fim de vivenciar experiências em diversos locais e com diferentes individualidades.
Os extraterráqueos que visitam o planeta Terra são originários de diversos planetas deste universo. Muitos deles têm a missão de colaborar com os habitantes da Terra e planejam diferentes formas de interação. Alguns são capazes de se comunicar diretamente com aqueles que estão dispostos a ouvi-los, enquanto outros utilizam médiuns para estabelecer esse contato. Determinados extraterráqueos se fazem presentes com o auxílio de entidades que atuam no mundo espiritual, trabalhando em conjunto para transmitir informações necessárias, a fim de que os humanos possam aproveitar o tempo que lhes resta antes da renovação da Terra.
Um fenômeno observável é que muitos extraterráqueos, com a ajuda dos trabalhadores do plano espiritual da Terra, buscam transmitir informações sobre a proximidade de uma mudança. Isso estabelece um limite para que os seres humanos tenham, como última oportunidade, a chance de se revestirem do corpo físico e tentarem aprender o suficiente para permanecer no planeta após a renovação. Essa situação resulta na presença de indivíduos que agem com extrema crueldade contra os habitantes da Terra e até mesmo contra seus próprios compatriotas. Cada individualidade age de acordo com o que carrega em seu espírito; por isso, pessoas que sentem intensa frustração pelos resultados de seus atos passados buscam estar aqui como uma última chance de mudar o seu comportamento.
Os trabalhadores do mundo espiritual estão, mais do que nunca, empenhados em ajudar os humanos a acelerarem seu aprendizado. Para isso, buscam promover fenômenos que, antes, eram raros, mas agora se tornaram mais frequentes, visando permitir que o maior número possível de indivíduos permaneça no planeta. Uma vez que esse período se conclua, aqueles que ainda não tiverem aprendido determinadas regras serão levados a um novo planeta, onde poderão dar continuidade ao seu aprendizado.
Cada extraterráqueo tem facilidade para perscrutar o que cada individualidade carrega em seu espírito. Ao transmitir orientações, eles podem se manifestar por meio de outra individualidade, a fim de que o médium ou receptor das instruções possa assimilar melhor o que está sendo comunicado. Esse procedimento visa alcançar o maior número possível de indivíduos durante esse trabalho final.
Muitos seres humanos, como já mencionamos anteriormente, possuem a capacidade de se comunicar com entidades que não têm um corpo físico, conhecidas como médiuns ou sensitivos. Esses indivíduos podem receber informações por meio de uma linguagem que chamamos de espiritual. A entidade, ao não estar mais ligada ao corpo físico, carrega em seu interior uma fagulha divina, que contém toda a memória espiritual necessária para o pensamento. Esse processo ocorre durante os contatos que estabelece com aqueles que ainda possuem um corpo carnal. O pensamento da entidade ao atingir outra individualidade, que, dependendo de sua capacidade, pode perceber essa comunicação como uma voz direta ou como uma sensação de estar recebendo informações de um local próximo ou desconhecido. Além disso, é possível que as entidades projetem na mente dos médiuns, por meio de seu pensamento, imagens que correspondam ao que está ocorrendo durante a comunicação.
Outras individualidades têm a capacidade de perceber fenômenos específicos, como luzes ou até objetos, que frequentemente se relacionam com aquilo que conseguem compreender como sendo algo determinado. Por exemplo, quando alguém entra em contato com uma entidade específica, esta pode transmitir sua própria aparência de quando possuía um corpo físico. Alternativamente, o receptor pode lembrar-se da entidade que conheceu em sua forma física, projetando internamente sua fisionomia.
Muitas vezes, os extraterráqueos sentem a necessidade de transmitir informações importantes, mas não conseguem alcançar um público maior apenas através daquele médium. Por isso, reúnem-se e organizam-se com a assistência de uma individualidade mediúnica, para que, em determinado momento, possam estar presentes muitas pessoas. Nesse contexto, projetam fenômenos, como aparições de objetos ou eventos naturais, semelhante ao que ocorreu em Fátima, Portugal.
Dessa forma, no exemplo de Fátima, é possível notar como a realização de uma comunicação e o estabelecimento de uma demonstração fenomenal por parte de extraterráqueos podem ser entendidos como uma aparição religiosa. É importante reconhecer que ninguém que esteja se comunicando com o objetivo de ajudar uma determinada população se importa com a classificação que os seres humanos fazem da entidade, seja como uma figura sagrada de uma religião específica ou como uma entidade de qualquer outra denominação que estude realidades míticas.
Muitos extraterráqueos, ao estabelecerem contato com indivíduos que ainda possuem um corpo físico, buscam provocar neles a percepção de objetos que estejam relacionados ao que está sendo comunicado. Um exemplo disso são as aparições de objetos voadores. Essa estratégia visa chamar a atenção dos seres humanos para a existência de realidades que vão além da matéria densa. Além disso, é importante ressaltar que a maioria dos eventos de comunicação é previamente planejada no mundo espiritual, para que esses indivíduos possam, quando em corpo físico, verificar os temas importantes e transmitir as informações aos demais.
É importante observar que muitos receptores têm sua própria compreensão sobre os fenômenos extra físicos dos quais participam, nomeando-os de acordo com seu entendimento. O que os comunicantes desejam é que a mensagem seja transmitida e que o objetivo seja alcançado, independentemente da nomeação dada a ela. Também é necessário considerar o atributo evolutivo da entidade comunicante, uma vez que até entidades de baixo teor moral podem se utilizar desse processo.
REGISTROS AKÁSHICOS
Os Registros Akáshicos são um conjunto de informações que abrange todas as experiências, pensamentos, emoções e eventos de cada alma. Considerados uma memória viva de tudo o que já foi vivido—passado, presente e futuro—esses registros refletem a totalidade da experiência humana. Como já mencionamos em escritos anteriores, cada individualidade é composta de espírito e matéria. Isso inclui Gaia, que é uma individualidade que sustenta a formação de novas individualidades, cada uma portando um banco de memórias espirituais. Assim, cada individualidade possui seu próprio acervo de memórias, e, após um determinado desenvolvimento, quando adquire um cérebro, começa a construir um banco de memórias que arquivará todo o desenrolar de sua existência.
Todos os registros feitos por cada individualidade que habita Gaia formarão um arquivo geral contendo todas as ocorrências de maneira abrangente, e esse arquivo será eterno, pois jamais será apagado. O ser humano, já dotado de livre-arbítrio, arquiva toda a sua vivência no cérebro. No momento em que deixa seu corpo físico, ele transfere esse arquivo para o banco de memórias espiritual. Em alguns casos, essa transferência ocorre quando o espírito começa a se afastar do corpo; nesse instante, inicia-se o processo de transferência. No entanto, muitas vezes, esse espírito pode não completar a saída e se mantém no corpo para cumprir uma determinada tarefa, enquanto o corpo físico ainda contém seu banco de memórias. Dessa forma, as informações farão parte tanto do banco de memórias do corpo físico quanto do espírito dessa individualidade.
Da mesma forma, os bancos de memória espiritual contêm tudo o que foi realizado pela individualidade desde o seu início. Cada individualidade possui seu próprio campo energético, assim como o planeta também possui o seu. O campo energético funciona como uma vitrine que expõe a essência da individualidade, permitindo que essas informações sejam transmitidas de maneira semelhante a um sinal de rádio, alcançando outras individualidades. Quando necessário, as informações armazenadas nos bancos de memória do corpo físico e do corpo espiritual podem ser acessadas por meio de meditações, processos de hipnotismo, sensitivos, mediunidade e outros métodos disponíveis.
Cada individualidade se manifestará de acordo com o conhecimento que possui e com a evolução que alcançou. No mundo espiritual, também existem individualidades que ainda necessitam de muito aprendizado para poder ajudar aquelas que estão em situação de necessidade. Algumas dessas individualidades podem permanecer no mundo espiritual por um longo período devido a práticas negativas realizadas em seu passado no corpo físico, o que as impede de trilhar o caminho da harmonia.
Por permanecerem por muito tempo nesse plano, acabam adquirindo conhecimento sobre o funcionamento das comunicações espirituais. Assim, em vez de ajudar, algumas delas buscam satisfazer seus próprios desejos, influenciando aquelas individualidades que ainda não são muito evoluídas a praticarem atos que vão contra a lei da harmonia. Para que isso ocorra, é necessário que a individualidade que está sendo influenciada esteja com a mente propensa a realizar ações contrárias a essa lei. Nesse momento, essas entidades se aproximam e a incentivam, por meio de pensamentos, a agir de determinada forma.
Sobre a influência do pensamento, é importante esclarecer que toda individualidade que não está sob os auspícios do corpo físico só pode emitir pensamentos quando deseja se comunicar com outra individualidade, especialmente quando esta outra está vinculada a um corpo físico. Assim, essas individualidades podem influenciar o comportamento uma da outra, pois os pensamentos emitidos podem, de certa forma, ser captados, e a individualidade receptora age sob essa influência.
Levando em consideração o livre-arbítrio, muitas individualidades que ainda se encontram em um caminho onde a maldade impera desejam que as outras também enfrentem o que estão passando, um momento de sofrimento. Muitas delas, por exemplo, ainda alimentam o desejo de vingança contra suas desafetas de uma vida anterior no corpo físico. É importante compreender que a comunicação entre os espíritos, mesmo sem o corpo físico, pode gerar resultados sempre que a outra individualidade esteja no mesmo nível de evolução, como ocorreria normalmente se estivessem juntas.
Podemos concluir que a maioria dos fenômenos naturais pode ser interpretada como algo do além ou do sobrenatural. No entanto, essas experiências fazem parte do cotidiano de todas as pessoas. Basta uma observação mais atenta para que possa se desvendar a realidade por trás desses acontecimentos. O que ocorre é que, quando a individualidade não consegue compreender esses fenômenos, tende a atribuí-los a uma entidade externa ou a uma figura ainda desconhecida. Essa figura, então, adquire credibilidade, sendo vista como uma figura mítica dotada de poderes extraordinários, que só podem ser atribuídos a uma fonte que detém habilidades superiores às do ser humano.
As figuras míticas criadas ao longo da história humana são, na verdade, representações de acontecimentos que não foram compreendidos de maneira adequada. Isso ocorre porque as individualidades atribuem a essas figuras faculdades sobrenaturais, considerando-as excepcionais e capazes de realizar façanhas que existem apenas em suas narrativas fantásticas. No entanto, essas histórias têm o caráter de informar as demais individualidades sobre como tudo foi criado e de que maneira as forças sobrenaturais atuam para promover o desenvolvimento da humanidade.
Até os dias de hoje, ainda se pesquisa pouco sobre fenômenos desconhecidos. É mais fácil atribuí-los a causas sobrenaturais do que aceitar que tudo ocorre dentro de uma ação normal da criação, na qual tudo se desenvolve adequadamente, sem qualquer intervenção de uma divindade maior na vontade de cada indivíduo. Portanto, é importante reconhecer como realidade o que acontece sob os auspícios do Criador, pois somente Ele pode guiar cada pessoa a encontrar o caminho certo para o aperfeiçoamento ao qual todos estão sujeitos e para o qual foram criados.
É fundamental reconhecer que os acontecimentos relacionados ao mundo espiritual são, na verdade, fenômenos naturais que evidenciam mais o caráter de desenvolvimento do que o desconhecido. É importante refletir sobre a realidade desses fenômenos, evitando atribuir suas ocorrências a aspectos desconhecidos. Todos esses fenômenos são, de fato, naturais, e o essencial é aprofundar a pesquisa sobre sua manifestação dentro de uma perspectiva mais realista, sem se deixar levar por conceitos que surgem da incapacidade de compreendê-los. Cada universo possui características próprias que influenciam seu desenvolvimento, e é crucial buscar sempre uma interpretação lógica para os fenômenos que ocorrem nesse contexto.
Apucarana, 07 de março de 2025
Caetano Zaganini