A PERFEIÇÃO DA SABEDORIA DIVINA – Capítulo 03

PLANO ESPIRITUAL

1- O que é o plano espiritual?

O plano espiritual está localizado no mesmo espaço do plano físico. Ele é composto por uma matéria extremamente sutil, capaz de coexistir com a matéria física, embora seja impossível de ser percebida ou vista pelos sentidos do corpo físico das individualidades. A matéria do mundo espiritual só é percebida pelo espírito (fagulha Divina), uma vez que este é imaterial, de acordo com sua origem. O espírito consegue ver toda a matéria, desde a mais densa até a mais sutil. Podemos afirmar que a matéria não existe apenas em estado denso ou sutil, mas também em um estado intermediário, no qual o denso e o sutil se confundem. Nesse estado, o denso vai se tornando cada vez mais sutil, enquanto o sutil se torna mais denso ao mesmo tempo. É como se pudéssemos perceber uma iluminação que ocorre desde sua mínima claridade até a máxima, tudo ao mesmo tempo.

Quando da formação do planeta, inicialmente os trabalhadores espirituais de outros orbes, sob a orientação de seu governador, neste caso, Jesus Cristo, para o planeta Terra, começaram a estabelecer uma organização. Esses trabalhadores espirituais, com a devida capacidade, criaram na matéria sutil um local onde as individualidades que surgissem ali pudessem receber o acompanhamento necessário ao longo de toda a sua formação e desenvolvimento evolutivo, até atingirem o ápice da primeira fase de evolução, a qual se dá com o auxílio da matéria densa de composição visível do planeta.

Este local é onde as individualidades desacompanhadas do corpo físico realizam um estágio preparatório para o retorno à condição que lhes permite retomar seu corpo. Todo esse acompanhamento é realizado por trabalhadores da espiritualidade, que monitoram o desenvolvimento de cada individualidade desde o reino mineral até o reino animal. Todas as individualidades evoluem e se aperfeiçoam por meio de um programa instintivo, criado conjuntamente com o início de sua existência.

Quando a individualidade já se encontra no reino animal e se reconhece como portadora do livre-arbítrio, ela utiliza o corpo físico para agir de acordo com sua vontade. Durante sua permanência nesse instrumento, ela realiza suas ações com base no que considera a melhor atitude. Quando se direciona ao plano espiritual, busca uma reciclagem de seu comportamento. Dessa forma, pode dar continuidade ao seu aprendizado de maneira diferente, agindo dentro dos limites estabelecidos pela lei da harmonia.

2- Como é organizado o plano espiritual?

A organização do plano espiritual tem início no momento em que um astro é designado para se tornar um planeta habitável. Desde então, começam os trabalhos de construção desse plano, que servirá de suporte às individualidades que irão surgir com o objetivo de se aperfeiçoarem. Esse plano espiritual dará início às ações de auxílio às individualidades que iniciam seu ciclo, marcando a primeira fase de evolução. Essa evolução começará com a formação do reino mineral, seguida pelo desenvolvimento do reino vegetal e, por fim, pelo reino animal, coroando o trabalho de desenvolvimento nessa primeira etapa evolutiva.

Como o universo é constituído de espírito e matéria, é necessário compreender que a matéria possui diversos estados de composição, que se iniciam no denso e terminam no sutil. Assim, o plano espiritual está organizado dentro da matéria sutil, onde ocorre sempre o auxílio às individualidades que começam a se formar dentro da matéria densa. Todo desenvolvimento e aperfeiçoamento têm início na matéria densa e se dão por ciclos. Cada ciclo envolve uma permanência da individualidade no mundo físico, ou seja, na matéria densa, e outra no plano da matéria sutil, onde é construído o plano espiritual.

O plano espiritual é o local onde tudo se organiza dentro da estrutura do planeta. É nesse espaço que se realiza a preparação para o desenvolvimento das individualidades, as quais evoluem por meio de um programa denominado instintivo, que também se aperfeiçoa ao longo do tempo para permitir o aprimoramento das próprias individualidades. Tudo no universo é criado com o objetivo de que o Criador possa se expandir; assim, as individualidades que já possuem uma evolução mais avançada podem auxiliar as que estão em início de jornada, tudo dentro dessa perspectiva de expansão.

A função primordial do plano espiritual é servir de base para que o planeta possa dar continuidade ao seu propósito, que é promover o desenvolvimento das individualidades, permitindo que elas se aperfeiçoem e cumpram seu destino, que é a expansão do Criador.

Como dissemos, a individualidade é composta de espírito e matéria. Sua caminhada começa no reino mineral, onde a matéria está no estado mais denso. É importante compreender que a matéria densa tem a finalidade de proporcionar uma ligação mais direta e sensível entre ela e o espírito. A cada avanço no aperfeiçoamento da individualidade, essa conexão de sensibilidade se intensifica. No reino animal, após a aquisição do livre arbítrio, essa matéria densa que envolve a individualidade torna-se extremamente importante, pois possibilita a recepção de informações e respostas às ações realizadas. Essas experiências irão orientar a conduta do indivíduo, de acordo com a lei da harmonia.

Cada planeta terá um governador, que será uma entidade de elevada evolução. Essa entidade orientará toda a organização do plano espiritual desde a sua implantação, até que se torne necessário um novo direcionamento. Inicialmente, esse governador contará com a ajuda de trabalhadores de outros planetas mais evoluídos, especialmente daqueles que habitam planetas em uma fase mais avançada de evolução, para dar continuidade a essa construção divina.

Durante o desenvolvimento das individualidades, algumas conseguem avançar mais cedo na conduta de acordo com as regras da harmonia. Dessa forma, passam a colaborar nos trabalhos necessários para que o plano espiritual possa contribuir nas atividades destinadas a ajudar os espíritos que ali chegam sem a vestimenta física, a fim de que possam avaliar seu aprendizado e estabelecer novas buscas sobre como agir ao se vestir novamente com a roupa física, cuja roupagem será responsável por comunicar as respostas obtidas pelas ações praticadas pelas individualidades.

Quando as individualidades adquirem o livre-arbítrio e iniciam um aprendizado mais elaborado, adquirindo a capacidade de colaborar com os organizadores do plano espiritual, passam a ser aprendizes diretos. Esses aprendizes contribuem na manutenção e na orientação das demais individualidades que chegam para serem orientadas durante o retorno ao plano espiritual, a fim de aprenderem como podem praticar suas ações na próxima estada no plano físico.

3- Para onde vão as individualidades quando se despem do corpo físico?

Quando um universo é criado, existem trabalhadores responsáveis por organizar as individualidades denominadas planetas. Desde a formação do planeta, esses trabalhadores permanecem nele para organizar, primeiramente, o plano espiritual e, posteriormente, o plano físico. O plano espiritual é onde as individualidades que surgem no planeta iniciam seu desenvolvimento, com a incumbência de evoluírem até, ao final, retornarem ao Espírito do Criador de onde sua fagulha provém. Dessa forma, concretiza-se a expansão para a qual foram criadas.

As individualidades realizam seu processo de aprendizado em dois planos: o espiritual e o físico. No plano espiritual, esse aprendizado ocorre sem a necessidade de um corpo físico; já no plano físico, é necessário um invólucro material, com o qual experimentam as sensações decorrentes de suas ações, essenciais para o desenvolvimento e a sobrevivência desse corpo. Essas sensações também servirão para que as individualidades, ao adquirirem o livre arbítrio, possam escolher a melhor alternativa para a condução de seus atos diários, com o objetivo de seguir em busca da perfeição, condição para a qual foram criadas.

Considerando que toda individualidade possui a matéria que surge com sua estruturação no momento do início do universo, ela começa a desvencilhar-se dessa matéria. O processo inicia-se pela matéria mais densa e progride até que a individualidade se liberte da matéria sutil, passando a integrar novamente o espírito do Criador. Quando o espírito se desprende da matéria que o constituiu, por meio da evolução, essa matéria vai sendo desestruturada e acumulada em determinado ponto do universo, formando novamente o elemento primordial. Com esse elemento, o Criador poderá futuramente criar um novo universo, com o objetivo de se expandir.

Na primeira fase de evolução, que podemos definir como o período desde o início do planeta até o surgimento do reino animal e, posteriormente, do ser humano, resultado da transformação da individualidade do reino animal em ser humano, esse processo ocorre a partir da aquisição do livre arbítrio.  

Esse trabalho de desenvolvimento continua até que a individualidade possa compreender que faz parte do todo e agir de acordo com as leis da harmonia. Aí está o momento em que as individualidades atingem um novo patamar de evolução, passando a realizar seu trabalho de aprendizado sem a necessidade de portar um corpo físico (matéria densa).

Até atingirem esse patamar, elas realizam seu processo de aprendizado utilizando o corpo físico. Esse trabalho é conduzido pelo período de tempo necessário para sua realização. Pois bem, esse período de tempo torna-se o destino de todas as individualidades, uma vez que elas permanecem um determinado tempo dentro do invólucro carnal e outro fora dele, apenas na matéria mais sutil. Quando se desprendem do corpo físico, passam a ter a possibilidade, dependendo de sua capacidade de compreensão, de ver o mundo espiritual, onde podem encontrar-se com seres que já foram companheiros de jornada.

No mundo espiritual, existem milhões de seres com diferentes capacidades, que estão à disposição daqueles que ali ingressam para uma nova etapa de aprendizado. Esses seres atuam como orientadores, ajudando as individualidades a compreenderem como podem agir para alcançar uma maior evolução. Essa assistência é extremamente importante, pois pode determinar o tempo que a individualidade passará dentro do invólucro carnal.

Todas as individualidades, ao se despirem do invólucro físico, vão automaticamente para o mundo espiritual, onde realizam um estágio de conscientização sobre como têm agido enquanto na vestimenta física. Nesse momento, avaliam o estado do seu aprendizado evolutivo e refletem sobre as ações que devem tomar na próxima oportunidade para aprimorar esse aprendizado. Com a ajuda de seres mais evoluídos, também podem fazer projeções de como superar os obstáculos que surgirão, levando em consideração a conduta que adotaram até então. Essa conduta, por sua vez, foi responsável pelos diferentes resultados obtidos, em virtude da lei de ação e reação. Os resultados negativos, muitas vezes, geram situações que permitem à individualidade compreender seu caráter explicativo e reter esse conhecimento, a fim de desenvolver sua evolução de maneira adequada.

Portanto, as individualidades que se despem do corpo físico, ao iniciarem seu aprendizado na primeira fase de evolução, irão ao mundo espiritual, onde terão a oportunidade de fazer uma retrospectiva do que realizaram enquanto estavam encarnadas na matéria densa. Posteriormente, passarão por uma programação para um novo retorno à existência material, com a incumbência de viver novas situações que as conduzirão a compreender como agir de acordo com as regras da harmonia.

4- Como é a comunicabilidade no mundo espiritual?

No mundo físico, a comunicação se desenvolve por meio do instrumento corporal utilizado na ocasião. Esse instrumento pode ser a fala, sinais ou sons. No mundo espiritual, por não possuir o envoltório físico, a comunicação ocorre através do pensamento. Um espírito pensa, e o outro recebe esse pensamento, da mesma forma que duas individualidades com corpos físicos conversam normalmente. Uma entidade que, no mundo físico, tinha dificuldades de comunicação, como os surdos-mudos, no mundo espiritual consegue se comunicar normalmente, como se nunca tivesse enfrentado problemas para estabelecer uma conversa.

5- Como ocorre a comunicação entre as individualidades do mundo espiritual e o mundo físico?

Essas comunicações ocorrem sempre por meio do pensamento de ambos os comunicantes. Para que ocorra essa comunicação, é necessário que o receptor possua uma sensibilidade capaz de perceber o pensamento da individualidade que se encontra no mundo espiritual. Essa sensibilidade permite receber as informações do pensamento de outra pessoa e reproduzi-las por meio de palavras, escritos, desenhos ou até sinais. Todas as individualidades possuem, em maior ou menor grau, diferentes formas de sensibilidade, mas todas recebem informações por meio do pensamento da entidade espiritual.

Quando um sensitivo se dispõe a receber uma comunicação de uma individualidade do mundo espiritual, o primeiro passo é estar aberto para que isso aconteça. Também é possível que um sensitivo receba comunicações que tendam a modificar seu pensamento ou a interferir em sua vontade própria, levando-o a agir de modo a prejudicar a si mesmo ou a terceiros, por palavras ou ações. A individualidade que se comunica agirá de maneira que sua vontade seja realizada, muitas vezes sem que o sensitivo perceba que pode estar sendo influenciado por uma entidade do mundo espiritual. É importante observar que, no mundo espiritual, existem individualidades em diferentes estados de evolução. Uma individualidade que não possui uma evolução voltada para o bem pode se aproximar de alguém que ainda mantém o corpo físico, e, por sintonia de nível evolutivo, pode induzi-la a praticar atos que lhe tragam prejuízo.

Toda comunicação espiritual se desenvolverá na medida em que o comunicador esteja em um estado evolutivo, independentemente do nível de evolução do receptor. No entanto, o emissor só poderá influenciar a ação do receptor quando este permitir, por meio de seu próprio estado de evolução. Um espírito malfeitor só poderá agir na vontade do receptor se ambos estiverem na mesma sintonia e se o receptor aceitar essa influência, mesmo que de forma inconsciente.

É importante esclarecer que todas as individualidades, desde o reino mineral, possuem sua fagulha divina. No entanto, essa fagulha tem seus próprios meios de comunicação. Quando as individualidades, após alcançarem o livre arbítrio, necessitam receber informações para compreender melhor sua natureza, pode ocorrer a ajuda de entidades do mundo espiritual que as auxiliam a entender essa dinâmica de comunicação entre diferentes reinos. Por exemplo, a troca de informações entre o reino mineral, o reino vegetal e as individualidades do reino animal, que já possuem o livre arbítrio.

As individualidades desses reinos não podem manter uma comunicação direta entre si, pois estão em fases distintas de evolução. No entanto, quando surge a necessidade, as individualidades que se encontram no mundo espiritual podem estabelecer essa ponte. Nesses casos, a comunicação acontece por meio dessas individualidades que atuam no mundo espiritual. 

Essas individualidades, como trabalhadores espirituais, devido à sua evolução mais avançada, têm a capacidade de compreender os sentimentos das outras individualidades de diferentes reinos. Ao perceberem suas vontades, podem transmiti-las às individualidades que necessitam desse entendimento. Por exemplo, uma individualidade do reino mineral pode transmitir seu sentimento acerca da importância da existência de todas as individualidades no planeta. Essa comunicação de sentimentos pode ocorrer por meio dessas individualidades trabalhadoras, que transmitem essa compreensão às demais, muitas vezes por meio de pensamentos ou impressões mentais.

É importante destacar que essas individualidades, especialmente as que ainda não têm a capacidade de entender plenamente como as do mundo vegetal percebem essa comunicação, podem encarar essa troca de informações como uma comunicação direta, semelhante a uma fala, como se a entidade mineral estivesse falando diretamente.

Atualmente, há um intenso trabalho realizado pela espiritualidade no momento em que se aproxima a transformação do planeta para um novo estágio de evolução. Esse esforço está sendo conduzido por individualidades do mundo espiritual, em consonância com entidades do mundo físico, para que possam vivenciar momentos em que estejam no plano espiritual e experimentem o funcionamento daquele mundo e de seus trabalhadores. Todo esse processo ocorre com a participação de determinadas individualidades previamente selecionadas, a fim de desenvolverem essas atividades com o objetivo de esclarecer os habitantes do planeta sobre a existência de uma continuidade da vida e de uma forma de existência diferenciada daquela que até então predomina na Terra.

Como já mencionamos, todas as individualidades carregam uma partícula do Criador e, portanto, possuem a sabedoria divina. Nessa condição, a Terra e tudo o que existe nos reinos mineral, vegetal e animal contêm em suas entranhas o espírito que abriga a sabedoria divina, por meio da qual podem evoluir e compartilhar esse conhecimento, permitindo que outras individualidades também se aprimorem na busca pela perfeição, para a qual tudo foi criado. Dessa forma, todas podem estabelecer uma forma de comunicação entre si e com tudo o que existe.

No caso das individualidades que ainda não adquiriram o livre arbítrio, as comunicações ocorrem de maneira diferente daquela à qual os seres humanos estão acostumados, ou seja, não por meio da fala, de sinais escritos ou desenhados, ou de outras formas comuns atualmente, mas por meio de mecanismos existentes através da tecnologia ou de outros recursos específicos.

Desta forma, podemos dizer que elas possuem um modo próprio de comunicação, tanto entre indivíduos do mesmo reino quanto entre reinos diferentes. Considerando que cada uma possui um princípio inteligente, embora em fase inicial, elas se comunicam por meio de seus campos energéticos, pois todas as individualidades os possuem. Esses campos energéticos podem transmitir todos os sentimentos de cada individualidade para outra, sem a necessidade de instrumentos físicos aos quais o ser humano está acostumado. Os trabalhadores espirituais que possuem maior capacidade de compreensão são capazes de acessar as diferentes individualidades por meio de seus campos energéticos e transformar a vontade de cada uma em uma linguagem que os seres humanos possam entender, reconhecendo essas vontades.

Quando afirmamos que as individualidades que dispõem de livre arbítrio e estão no plano espiritual se comunicam por meio do pensamento, é importante destacar que aquelas que ainda não atingiram esse patamar também podem estabelecer comunicação com seres do mesmo reino ou de reinos diferentes. Essa comunicação é possível graças a seres com livre arbítrio que se encontram no plano espiritual, pois eles são capazes de captar os sentimentos das individualidades que ainda estão em níveis inferiores de evolução, mas que possuem a capacidade de se comunicar com as demais.

Tudo isso já vem sendo mencionado há milhares de anos, quando diversas culturas compreendiam que esses fenômenos ocorriam de uma determinada maneira. Isso pode ser observado por meio de escritos sobre seres considerados deuses em várias culturas, como as forças da natureza, o sol, o trovão e a água, que eram vistos como deuses por alguns desses povos antigos. Além disso, é possível notar essa compreensão nas culturas indígenas, cada uma com sua própria maneira de interpretar esses “deuses”.

6- Na comunicação entre individualidades de níveis diferentes de evolução, até que ponto elas podem acessar os conhecimentos umas das outras?

Primeiro, é preciso esclarecer que, em cada nível de evolução, há um conhecimento específico, pois, à medida que se sobe na evolução, a sabedoria divina se manifesta com mais intensidade na individualidade; portanto, as individualidades que se encontram em um patamar inferior de evolução também têm o conhecimento limitado à sua trajetória. Dessa forma, uma individualidade que possui um nível inferior de conhecimento estará limitada ao seu desenvolvimento. A individualidade que se encontra em um nível superior de evolução terá acesso a todo o conhecimento que a individualidade de nível menor possui; já uma individualidade de nível menor não terá, consequentemente, acesso ao que a de nível mais elevado possui.

7- Até que ponto uma individualidade pode interferir na vontade de outra?

Essa interferência ocorre na medida em que a própria individualidade permite, levando em consideração seu nível de conhecimento e evolução. Por exemplo, frequentemente acontece quando uma individualidade se encontra fora do corpo físico e deseja alterar o comportamento de um rival ou agir por ordem de outra individualidade.  

Como é sabido, uma individualidade desprendida do corpo físico comunica-se apenas por meio do pensamento. Dessa forma, ela pode se aproximar de outra individualidade com o objetivo de influenciá-la a modificar sua postura ou opinião sobre determinada ação. Se a individualidade que atua estiver em um mesmo nível de consciência e ação que a outra, ela receberá o pensamento da primeira e decidirá seu comportamento com base nas informações recebidas da individualidade emissora.

No mundo espiritual, as individualidades geralmente estão agrupadas de acordo com seu nível de evolução. Pessoas de níveis diferentes podem ter acesso ao local onde se reúnem outras individualidades de diferentes níveis, mas a vontade manifestada por uma de nível inferior não interfere nas ações de uma de nível superior.

No mundo espiritual, não há imposição por parte das individualidades de nível mais elevado; há apenas aconselhamento. Já entre as individualidades de um nível mais baixo, pode ocorrer imposição de vontades, umas sobre as outras. Essa imposição acontece por meio do pensamento, no qual uma individualidade passa a determinar de que forma a outra deve agir. No entanto, o que prevalece é o convencimento imposto, e não a obrigatoriedade, uma vez que, lá, não há a possibilidade de ações por força física que obriguem ao obedecimento, como ocorre no mundo material.

Dessa forma, é possível afirmar que uma individualidade pode impor sua vontade a outra quando desejar, mas a obediência sempre estará sob o controle do livre-arbítrio de cada uma. Quando uma individualidade se submete a outra, é porque seu nível de compreensão sobre o ato que irá praticar está alinhado com a compreensão gerada por seu nível evolutivo.

8- O que acontece com a individualidade quando ela vai para o plano espiritual?

A individualidade vai até lá com a finalidade de reciclar seu trabalho de aprendizado. É o momento em que ela analisa tudo o que fez em relação ao seu processo de aprendizado, que consiste em agir de acordo com as regras da harmonia. Pode-se dizer que ela faz uma avaliação de sua conduta no mundo físico. Além disso, participa de instruções que visam orientar a busca por meios necessários para realizar um retorno, de modo a obter resultados positivos em sua trajetória.

No local mencionado, as individualidades irão reunir-se com os trabalhadores daquele plano para receber orientações sobre como agir durante sua próxima passagem pelo mundo físico. Essas individualidades possuem um campo energético que as conduz a encontrar os meios adequados para atuar de acordo com suas necessidades evolutivas. Esse campo energético determinará o local e as companhias com as quais elas recomeçarão seu processo de aprendizado. Nessa perspectiva, os pupilos passarão a se conscientizar de como será e de qual maneira devem conduzir seus atos, de modo a facilitar um aprendizado mais compatível com sua capacidade de compreensão e para que possam seguir as regras da harmonia.

9- O que é EQM?

O próprio nome já indica: experiência ocorre quando uma individualidade, após um problema que afeta sua normal existência, resulta de uma interrupção na atividade do organismo físico, levando a um estado de falência do corpo que sustenta essa individualidade. Nesse momento, a individualidade deixa de utilizar o instrumento físico e passa a agir diretamente pelo espírito, isto é, pelo seu espírito que conhece tudo.

Nessa experiência, a individualidade passa a atuar como se estivesse desligada do corpo físico, ainda que por poucos instantes. Sua ida ao mundo espiritual ocorre por meio do espírito, que participa de tudo. No entanto, como se trata de uma experiência, tudo o que acontecer naquele local já está previamente determinado, em razão de uma decisão anterior. Todas as individualidades que participam dessa experiência têm como destino transmitir às demais pessoas aquilo que vivenciaram, com a finalidade de instrui-las.

Nesta oportunidade, seu espírito visita o mundo espiritual, onde terá as visões necessárias para, muitas vezes, sintonizar-se com seu lado sensitivo e assim propagar uma visão, ainda que resumida, de como é o mundo espiritual. Os trabalhadores espirituais lhe farão demonstrações de como é esse mundo e de muitas das coisas que lá acontecem, explicando como é aquele lugar e como a individualidade se sente naquele mundo de maior perfeição, em contraste com o mundo físico.

Esse fenômeno sempre ocorre devido a uma passagem anterior pelo mundo espiritual, na qual são programadas as realizações fenomênicas. Muitas vezes, essa estada serve para despertar a sensibilidade da individualidade, que, ao retornar ao corpo físico, continuará as comunicações entre os mundos, com a finalidade de promover expansões sobre aquele universo e, muitas vezes, transmitir informações mais detalhadas sobre o que está acontecendo no planeta. Além disso, esse processo ajuda as individualidades que ainda estão condicionadas ao instrumento físico a aprimorar seu comportamento, buscando ações mais harmônicas.

Muitas vezes, as comunicações servem para alertar sobre determinados fatos que podem ocorrer devido a comportamentos inadequados das pessoas, especialmente no período que precede a mudança do planeta para uma nova fase de evolução. Essa nova etapa envolverá exatamente a compreensão da realidade espiritual e a forma como aqueles que estiverem nessa fase de evolução irão se relacionar com o mundo e como devem agir nesse contexto.

10- Nas EQMs cada pessoa é singular. Como pode ser vista essa passagem?

Todas as individualidades possuem seu próprio comportamento. Cada uma reage de forma diferente diante dos acontecimentos decorrentes dessas experiências. É importante também considerar as necessidades de cada uma, pois aquilo que está ocorrendo faz parte de sua trajetória. É fundamental perceber o que cada uma necessita naquele momento, uma vez que muitas dessas ocorrências fazem parte de sua programação. Diversos acontecimentos possuem um cunho espiritual, já que podem estar relacionados a um ensinamento maior, especialmente neste momento presente, em que a transição planetária está próxima.

É importante levar em consideração a capacidade de cada individualidade de compreender o mundo espiritual, de acordo com os atributos adquiridos durante sua experiência atual. Cada pessoa, ao longo de sua existência na carne, constrói uma concepção de como as coisas são, tendo em vista o que aprende neste plano. Com esse entendimento, as ocorrências durante a visita que o espírito daquela individualidade fará ao mundo espiritual se desenrolarão de maneira condizente. Ela verá exatamente aquilo que necessita ver, seja por sua necessidade própria ou para transmitir aquelas visões a quem deve compreendê-las, de modo que possa entender precisamente como é o mundo espiritual.

Diante disso, pode-se concluir que cada individualidade passará por experiências distintas, dependendo de para quem essas informações serão transmitidas. Primeiramente, essas informações serão adaptadas à capacidade de cada individualidade e, posteriormente, direcionadas ao público-alvo. No caso dos trabalhos missionários, eles sempre ocorrerão em locais onde possam alcançar as pessoas, de modo que compreendam, ainda que de forma mínima, o mundo espiritual. Portanto, devemos considerar esse fenômeno como uma situação necessária tanto para a própria individualidade quanto para outras que demandam essa informação.

É muito difícil descrever a realidade do mundo espiritual para as pessoas que estão na veste física, pois elas não têm ideia de como a matéria é composta nesse estado sutil. Por isso, os trabalhadores espirituais fazem o possível para que as individualidades possam adquirir pelo menos uma parcela de conhecimento sobre esse local. Há bastante tempo, uma grande maioria de enviados tem promovido ações para que essa realidade seja conhecida. Essas ações vêm sendo realizadas por meio de médiuns que possuem a capacidade de se comunicar com as entidades do mundo espiritual.

Exemplos disso podem ser observados na história bíblica, nas palavras do Mestre Jesus durante sua convivência com os seres humanos encarnados neste planeta, bem como em relatos de seres de outros planetas em missão na Terra com esse propósito específico. Também é possível perceber entre os mestres que transmitem instruções sobre como é o mundo espiritual, por meio de suas ações e ensinamentos perante os semelhantes. Recentemente, essas entidades se valem de pessoas que possuem certa sensibilidade para transmitir, por escrito, uma noção, ainda que pequena, desse outro plano de existência. As religiões também desempenham um papel nesse mistério, uma vez que estudam os escritos deixados por entidades do mundo espiritual. É fundamental que a individualidade, presente no plano físico, esteja atenta às ocorrências cada vez mais frequentes de fenômenos considerados místicos, os quais representam formas de esclarecimento sobre o tema.

Dessa forma, essa passagem deve ser observada sob diversos pontos de vista, uma vez que representa uma vasta gama de interpretações diferentes, considerando que cada indivíduo possui uma maneira própria de absorver o resultado de tais acontecimentos. Todas as individualidades devem estar sempre atentas ao que surge em sua caminhada, pois surgirão constantemente novidades que as levarão a encontrar o caminho dentro da lei da harmonia. Portanto, é imprescindível que cada pessoa que transita por esses meios de comunicação espiritual esteja sempre atenta e buscando a melhor interpretação possível, a fim de contribuir para o esclarecimento daqueles que não participam ativamente desses acontecimentos.

11- A permanência do ser humano no planeta terra poderia ser o umbral?

A existência na Terra tem como propósito fundamental o aperfeiçoamento da individualidade por meio de seu desenvolvimento. É o local onde ela tem a oportunidade de observar os resultados de seus atos cotidianos, que são essenciais para nutrir e aprimorar o corpo físico. Dessa forma, ela disponibiliza meios para que a individualidade continue se desenvolvendo e evoluindo espiritualmente, com o objetivo final de se reintegrar ao Espírito do Criador.

Tanto o mundo físico quanto o mundo espiritual estão situados no planeta. Há uma interação entre a matéria do mundo espiritual e a da matéria do mundo físico. A matéria do mundo físico é mais densa, enquanto a do mundo espiritual é mais sutil; nesse sentido, ela pode coexistir com a matéria densa sem interferir em seu desenvolvimento.

De acordo com algumas interpretações doutrinárias mais recentes, o umbral é um local onde as individualidades que deixaram o corpo físico, e que se encontram em um estado precário de evolução espiritual, vão se aportar para purgar as consequências de suas ações contrárias aos mandamentos da harmonia. Isso ocorre porque todas as ações sempre geram uma resposta, a qual serve para que a individualidade possa compreender o caráter negativo de sua conduta. Trata-se de uma construção espiritual criada por indivíduos com baixo nível de evolução moral, com o objetivo de dar continuidade ao seu aprendizado. Esse local existe para proporcionar condições que permitam a essas individualidades entenderem que suas ações no mundo físico não foram adequadas ao seu processo evolutivo. Nesse espaço, elas passam por situações que as auxiliam a perceber que a maneira como agiram no mundo físico não foi a mais adequada.

Cada individualidade possui seu próprio campo energético, o qual determina o melhor lugar para estar a fim de desenvolver seu aprendizado. Da mesma forma, esse campo energético fornece elementos que permitem a cada uma formar, em conjunto, imagens dos locais de acordo com suas necessidades evolutivas, facilitando a convivência e a busca pelo caminho da evolução. Quando se fala na formação desses locais onde elas podem estar, entende-se que são construídos com matéria sutil pelas próprias individualidades que compartilham o mesmo nível de evolução. Como estão na mesma condição, unem suas forças para criar os ambientes de que necessitam. Esses locais são muitas vezes descritos como escuros, lamacentos e repletos de pessoas sofrendo horrores. Essa realidade se manifesta para todos aqueles que se encontram ali, na mesma condição de necessidade de trabalhar suas condutas.

Como já mencionamos anteriormente, na EQM (Experiência de Quase-Morte), essa realidade é revelada aos envolvidos de acordo com sua necessidade de compreensão, para que possam transmitir essas experiências do mundo espiritual àqueles que necessitam. É importante que cada indivíduo busque conhecimento sobre esse mundo misterioso, que realmente existe e do qual todos participarão, mais cedo ou mais tarde. A Terra não é o umbral, mas o contém em sua estrutura. Quem vive com a vestimenta física no planeta não está no umbral; está realizando seu trabalho de aprendizado. Quando se despirem da vestimenta física, poderão, dependendo de sua necessidade, adentrar o umbral, que fica no planeta, mas em uma realidade diferente, podemos dizer, no mundo astral.

12- Quando uma individualidade deixa o plano físico o que ela vai encontrar no plano espiritual?

O plano espiritual é uma formação constituída pela matéria sutil que existe no planeta. Inicialmente, os trabalhadores desse plano, por serem seres de uma evolução avançada, possuem a capacidade de criar locais adequados às individualidades que ali irão se reciclar. Com essa matéria sutil, esses trabalhadores, por meio de seus pensamentos, podem construir casas, templos, vegetação, as formas dos animais que ainda não alcançaram o livre-arbítrio, e uma infinidade de outras coisas que julgam necessárias para recepcionar as individualidades que ali chegam.

Desta forma, podemos afirmar que as individualidades que adquiriram o livre-arbítrio em seu início encontrarão todas essas “construções”. No entanto, ao longo do tempo, à medida que adquirirem maiores conhecimentos sobre suas atitudes durante o exercício do livre-arbítrio, passarão a construir também os locais que consideram mais adequados ao seu comportamento, com base nas ações realizadas enquanto estavam na forma física. Essas individualidades podem criar locais aos quais se referem como umbral, segundo a doutrina espírita; ou purgatório e inferno, de acordo com a doutrina católica. No hinduísmo, esses locais são chamados Naraka ou Ymaloka; no budismo, Jigoku; e assim por diante, com diferentes nomenclaturas para cada corrente de pensamento.

Cada individualidade encontrará exatamente o que necessita, mas, quando há um trabalho a ser realizado com ela própria, ser-lhe-á apresentado aquilo que fará sentido para sua compreensão. No caso de uma programação voltada ao desenvolvimento de conhecimentos de terceiros, as individualidades poderão verificar, de forma direta, como as ações se desenrolam no plano espiritual. Portanto, cada uma verá o que precisa para entender melhor e compreender como tudo funciona. Durante esse processo, poderão surgir seres conhecidos, desconhecidos e figuras que seus pensamentos são capazes de imaginar no momento em que estiverem ali presentes.

13- No caso do planeta Terra, como vai ficar o plano espiritual depois que houver a passagem para uma nova fase de evolução?

Quando o planeta Terra fizer sua passagem para a próxima fase de evolução, contará apenas com o plano espiritual atuando como suporte para o desenvolvimento das individualidades que ali permanecerão, a fim de dar continuidade ao seu aprendizado evolutivo. Tudo estará centrado no aprimoramento dessas individualidades, que, ao se destacarem, poderão contribuir ajudando no desenvolvimento de outros planetas que estejam na fase inicial de evolução. 

Para aquelas individualidades que já atingiram um nível elevado de evolução, haverá a oportunidade de migrar para outros mundos, onde iniciarão trabalhos de composição do mundo espiritual, colaborando na construção desse plano. Outras, por sua vez, irão auxiliar em planetas na fase inicial de evolução, fornecendo orientações para o desempenho do aprendizado dessas individualidades iniciantes.

Nessa nova fase de evolução, as comunicações entre as fases superiores ocorrerão da mesma forma que acontecem entre a primeira e a segunda fase. Todas as individualidades que estejam em um nível superior de evolução poderão comunicar-se com as de nível inferior utilizando os meios disponíveis naquela fase, seja por meio de um corpo físico ou por sensitivos, por exemplo: Jesus Cristo, que é o governador do planeta Terra e possui um nível de evolução extremamente elevado, utilizou uma vestimenta física para demonstrar na prática o que o ser humano precisa fazer para não sucumbir na primeira fase de evolução. É importante destacar que, a cada nova fase de evolução, a matéria torna-se mais sutil, até que, em determinado momento, ela se dissocia da individualidade, quando a fagulha divina se reintegra ao Criador.

14- Espiritualidade o que é?

Quando o Criador inicia uma nova etapa de sua expansão, o faz doando uma partícula de si mesmo para a formação dessa nova empreitada, que se inicia com a construção de um universo. O Criador é dotado de uma potencialidade, a qual denominamos força cósmica universal, que o torna participante de tudo o que existe. Essa partícula doada pelo Criador é chamada de espírito, e ela integra tudo. Quando o Criador inicia um novo universo, o faz com a intenção de se expandir, e esse processo ocorre dentro de determinadas leis, as quais fazem parte de sua potencialidade. É importante considerar que essas leis são imutáveis.

Para que essa expansão ocorra, é necessário que o primeiro bloco universal comece a se dividir, resultando inicialmente nas aglomerações astrais. Com o passar do tempo, e em busca da perfeição à qual tudo está restrito, essas individualidades passam a trabalhar seu aperfeiçoamento. Cada aprimoramento leva a um novo estágio de conhecimento, o que, por sua vez, gera novas constituições de individualidades.

As individualidades serão compostas por uma centelha do espírito divino, que, por sua vez, estará integrada à matéria estruturada, conforme ocorre no princípio de um universo. A finalidade da individualidade é aprimorar-se ao se reestabelecer como parte do espírito do Criador, colaborando assim em seu processo de expansão. Para que a individualidade possa desempenhar esse papel de auxílio na expansão do Criador, ela se desenvolverá dentro dos limites estabelecidos pelas regras disponíveis. A primeira dessas regras é a lei da harmonia, que determina a forma como tudo se desenvolverá e, consequentemente, como esse processo ocorrerá.

Dessa forma, toda individualidade tem como base o espírito, ou seja, a fagulha divina. Assim, referimo-nos à espiritualidade como a maneira pela qual ela busca se integrar ao Criador. Essa integração pode ocorrer de diversas formas, seja por meio de atitudes que a aproximem do Criador. Muitas vezes, essas ações são motivadas por uma combinação de apreensão e exaltação em relação àquilo que ela percebe como importante em sua vida.