PLANO FÍSICO
1- O planeta terra é constituído de dois planos, o físico e o espiritual. Como é possível descrever o plano físico?
O plano físico é o espaço onde as individualidades desempenham o seu papel de aprendizado, diretamente influenciadas pelos resultados de suas ações. Esse local é composto por matéria densa, constituindo-se como um espaço de permanência dos reinos mineral, vegetal e animal. Nesse ambiente, as individualidades realizam seu primeiro trabalho de aprendizado, iniciando pelo reino mineral, passando posteriormente pelo reino vegetal e, por fim, concluindo essa primeira fase de aprendizado atuando no reino animal.
Dessa forma, devemos admitir que esse plano corresponde ao primeiro passo no desenvolvimento do planeta, onde as individualidades iniciam sua caminhada rumo à perfeição para a qual foram criadas, com o objetivo de promover a expansão do Espírito Divino. Nesse local, o planeta, enquanto primeira individualidade, vai se aperfeiçoando e criando condições para se desmembrar em novas individualidades que surgem a partir dele, dando início ao seu próprio desenvolvimento. Esse processo continua à medida que essas novas individualidades se repartem e se multiplicam, permitindo que cumpram o propósito para o qual foram criadas.
Neste plano, as individualidades irão se desenvolver e, consequentemente, com o aprimoramento, passarão de um reino para outro, culminando no estabelecimento do reino animal, onde as individualidades alcançarão o livre arbítrio. Assim, concluirão seu processo de desenvolvimento até estarem preparadas para avançar a uma nova fase de evolução. Nessa primeira etapa, as individualidades, compostas de espírito e integradas à matéria, realizarão seu aprendizado utilizando-se da matéria densa presente no planeta, a fim de obter respostas para seus atos e, assim, conseguir orientar suas ações de acordo com as regras da harmonia.
Neste plano físico, as individualidades que já alcançaram o livre arbítrio começarão a desenvolver o conhecimento de como o planeta funciona, bem como o funcionamento das individualidades dos reinos mineral, vegetal e animal. Nesse plano, essas individualidades também realizarão experimentos para compreender a composição e o desenvolvimento do planeta. Com o conhecimento adquirido ao longo dos anos, elas passam a descobrir maneiras de facilitar seu trabalho físico, obter recursos para viver com mais conforto e encontrar meios de se curar de determinadas enfermidades.
Em síntese, o plano físico é uma etapa fundamental no processo evolutivo do espírito, um espaço de aprendizado onde a matéria serve como meio de desenvolvimento, preparação e aperfeiçoamento para fases superiores de evolução. Isso nos convida a valorizar a vida material como uma oportunidade de crescimento espiritual, promovendo uma compreensão mais ampla e integrada da nossa existência no planeta Terra.
2- O que acontece com as individualidades quando estão no plano físico?
Quando as individualidades se encontram no plano físico, e podemos afirmar isso, começando pelo planeta Terra, que também é uma individualidade, todas foram criadas para se desenvolver e, consequentemente, dar continuidade à obra criadora, repartindo-se de forma adequada para que novas individualidades surjam. Todas foram criadas com o propósito de promover o aperfeiçoamento, o qual conduz à expansão do Criador.
Formadas as individualidades, assim como ocorreu com o planeta, elas foram criadas, como já afirmamos, para a expansão do Criador. Assim, iniciam uma caminhada rumo ao aperfeiçoamento. Para que isso aconteça, é necessário que essas individualidades se desenvolvam em busca de aprimoramento, o que gerará novas individualidades que formarão o próximo reino: o vegetal. Essas individualidades do reino vegetal irão se aperfeiçoando cada vez mais até culminar na construção do reino animal.
É importante destacar que o reino mineral está em constante transformação e, com essas mudanças, surgem novas individualidades que iniciam sua caminhada rumo à perfeição. Essas novas individualidades contribuem para a formação contínua do reino vegetal, enquanto o aprimoramento também promove a expansão do reino animal. Além disso, é fundamental ressaltar que as individualidades criadas anteriormente terão maiores chances de se aperfeiçoar e progredir na escala dos reinos. É possível observar que, nos reinos mineral, vegetal e animal, existem individualidades que se encontram em determinados níveis de desenvolvimento; por isso, apenas algumas atingiram, até o momento, a classificação de agirem pelo livre-arbítrio, enquanto outras ainda estão longe de alcançar essa distinção.
Como dissemos, as individualidades são compostas pelo espírito, também conhecido como “fagulha divina”, e pela matéria. Quando estão no plano físico, utilizam um instrumento corpóreo para promover seu aprendizado, desde o início de sua existência. No começo, são guiadas pelo programa instintivo, que as leva a alcançar o livre arbítrio, momento em que passam a ser responsáveis pela execução de atos que norteiam sua existência e a do seu instrumento. Ao atingir o livre arbítrio, as individualidades, já portadoras de consciência, começam a compreender que não há um fim para a existência, mas que a vida continua. Para que isso seja possível, é necessário que participem do mundo espiritual, onde realizarão estágios de aprendizado e programações para os retornos necessários à complementação do seu aprendizado. Agora vamos destacar alguns pontos desse enunciado:
1). A Natureza das Individualidades e Sua Origem Divina: as individualidades são compostas por uma fagulha divina, o espírito e pela matéria. Essa composição indica uma dualidade intrínseca, onde o espírito é a essência imortal e divina, enquanto a matéria representa o corpo ou veículo físico através do qual a individualidade se manifesta e aprende. Essa visão reforça a ideia de que o propósito maior é a evolução do espírito, que busca se expressar e expandir por meio das experiências físicas.
2). O Processo de Desenvolvimento nos Reinos da Natureza: A evolução das individualidades é apresentada como uma jornada progressiva através dos reinos mineral, vegetal e animal, culminando na expansão do Criador. Cada reino representa uma etapa de aperfeiçoamento:
a). Reino Mineral: Aqui, surgem novas individualidades através de transformações constantes. Essas individualidades ainda estão em níveis iniciais de consciência e livre-arbítrio, realizando processos de aprendizado através de instintos e ações automáticas.
b). Reino Vegetal: As individualidades que evoluíram no mineral passam a formar e desenvolver o reino vegetal, onde há um avanço na consciência, na capacidade de resposta ao ambiente e na determinação de ações mais diferenciadas.
c). Reino Animal: Com o desenvolvimento do reino vegetal, surge uma nova etapa de consciência mais complexa, onde as individualidades começam a exercer maior liberdade e responsabilidade, aproximando-se do livre-arbítrio e da compreensão de sua continuidade existencial.
3). A Evolução da Consciência e a Responsabilidade pelo Livre-Arbítrio: No início, as individualidades operam sob o programa instintivo, uma espécie de automatismo que garante sua sobrevivência e aprendizado básico. Com o tempo, elas atingem o livre-arbítrio, momento em que passam a exercer maior responsabilidade por suas ações. Esse desenvolvimento é fundamental para que elas compreendam que a vida não termina com o plano físico, mas continua em planos superiores, permitindo uma evolução contínua.
4). A Participação no Mundo Espiritual: A continuidade da evolução não ocorre apenas no plano físico, mas também no espiritual. A participação no mundo espiritual é vista como um estágio de aprendizado e programação que prepara as individualidades para seus retornos e futuras experiências. Essa interação entre planos físico e espiritual reforça a visão de uma existência cíclica e progressiva, onde o aprendizado é contínuo e integrador.
Essa perspectiva encoraja uma compreensão mais profunda do propósito da existência, valorizando o processo evolutivo contínuo que une todos os reinos da natureza e todos os níveis de consciência.
3- Como se opera o desenvolvimento da individualidade durante sua estada no plano físico?
Para responder a essa questão nós vamos apresentar uma perspectiva espiritualista sobre o processo de desenvolvimento da individualidade na esfera física, enfatizando a interdependência entre o corpo físico, a fagulha divina (espírito) e o universo evolutivo universal.
No plano físico, a individualidade desenvolve o aprimoramento de seu instrumento físico com o objetivo de adentrar cada vez mais no universo da recepção, aprofundando-se nas respostas obtidas por meio da prática diária de seus atos. À medida que ocorre o desenvolvimento e o aprimoramento da parte física da individualidade, surge também a necessidade de adquirir novos conceitos sobre sua experiência no mundo físico. Isso implica na busca por novas formas de se posicionar como uma peça fundamental na dinâmica evolutiva do universo.
Desde o início do universo, existe um programa destinado a conduzir o desenvolvimento das individualidades que surge com sua formação. Dessa forma, cada uma delas evolui por meio de um programa instintivo, que também se desenvolve ao longo do processo de aperfeiçoamento, buscando constantemente novas formas de promover esse crescimento. É importante entender que toda e qualquer modificação na esfera física ocorre sempre em concomitância com o seu aspecto espiritual, uma vez que cada individualidade é composta pela fagulha divina e pela matéria.
A fagulha divina é quem organiza a matéria; portanto, detém sobre ela uma supremacia. No entanto, essa supremacia não interfere no desenvolvimento normal da matéria durante o seu processo de aperfeiçoamento. Ela estará sempre à disposição para agir de forma adequada quando necessário. Essa intervenção, muitas vezes, deve ocorrer de maneira a demonstrar inequivocamente essa superioridade sobre a matéria. Assim, é imprescindível afirmar que o espírito sempre orientará a matéria a desempenhar seu papel necessário de auxiliar no desenvolvimento da individualidade. Isso tudo demonstra que o corpo físico é, em última análise, um instrumento de manifestação da vontade espiritual, reforçando a ideia de que a evolução física é influenciada por fatores espirituais superiores.
A fagulha é portadora de toda a sabedoria divina, e a sua exposição só se amplia à medida que ocorre o desvencilhamento da matéria, que se dá através do seu aperfeiçoamento. Uma das formas de se observar a supremacia do espírito sobre a matéria é que, em determinadas ocasiões, a vontade do espírito pode interferir drasticamente no desenvolvimento dela, matéria, modificando-a de forma instantânea. Isso pode ocorrer, por exemplo, em fatos considerados “milagres”, nos quais há uma modificação na matéria devido à supremacia do espírito, que manifesta sua vontade. Muitas vezes, esse fenômeno acontece quando a vontade espiritual é estimulada, frequentemente por meio de pedidos dirigidos ao Criador, feitos através de figuras que representam uma vida repleta de virtudes, encontradas no mundo espiritual. Essas figuras podem, por vontade de algumas crenças, ser aclamadas como iluminados, santos, anjos ou outras entidades simbólicas.
Essas ocorrências podem ser observadas desde o tempo em que o seu governador esteve presente no planeta, realizando um importante trabalho educativo em benefício de um povo que necessitava de mais instruções sobre o mundo físico e o mundo espiritual. Esse ser, extremamente iluminado, em várias ocasiões deixou claro que a vontade do espírito poderia promover modificações instantâneas no corpo físico, dependendo de sua intenção, que se manifestava por meio da fé. Em uma ocasião, o missionário, ao ser solicitado por um cego para que restaurasse sua visão, a cura realizou-se de modo instantâneo, e ele afirmou ao curado: “a tua fé te curou”. Essa é uma das demonstrações da supremacia da vontade do espírito sobre a matéria.
A ocorrência de modificações instantâneas na matéria, atribuídas à vontade do espírito ou a figuras espirituais elevadas, evidencia uma dimensão de poder além da compreensão científica atual. Tais fenômenos, muitas vezes relacionados a pedidos de cura ou milagres, demonstram a supremacia do espírito sobre a matéria, apoiados na fé e na intenção espiritual. Esses episódios reforçam a ideia de que a evolução física está sujeita à influência direta do mundo espiritual.
Atualmente, é possível observar essas ocorrências em movimentos religiosos, nos quais figuras especiais que se desvestiram do corpo físico, os quais mantiveram uma vida dedicada ao cumprimento de atos sempre em sintonia com a lei da harmonia, atuam como intermediárias para que tais acontecimentos ocorram. Casos comuns podem ser verificados nos templos da Igreja Católica, onde figuras de santos servem como estímulos para que ocorram modificações instantâneas no corpo físico, demonstrando mais uma vez a supremacia da vontade do espírito sobre a matéria.
A ciência terráquea ainda não está apta a decifrar como isso é possível, apesar de alguns fatos serem comprovados por testemunhos de pessoas que passaram por tais experiências. A ciência humana ainda não consegue compreender como se operam essas modificações, por isso, não lhes atribui autenticidade científica. Existem indivíduos que possuem uma sensibilidade maior, chamados médiuns, que muitas vezes atuam como intermediários entre o mundo físico e o espiritual, permitindo, por meio de seus trabalhos, a manifestação da vontade da fagulha divina sobre o corpo físico durante esses acontecimentos modificatórios instantâneos. A mediunidade é apresentada como uma ponte entre o mundo físico e o espiritual, facilitando manifestações da vontade divina. Essa visão sugere uma complementaridade entre a fé, a experiência espiritual e o entendimento científico, ainda em desenvolvimento.
É importante saber que, durante o desenvolvimento do corpo físico das individualidades, existe um mecanismo de renovação celular. Algumas células se renovam em períodos menores, outras em períodos mais longos, mas todas no tempo adequado para que as novas substituam as células mais velhas. No caso dos “milagres”, a modificação das células ocorre no instante do comando do espírito, que detém a sabedoria necessária para que o fenômeno aconteça. Portanto, pode-se dizer que é um fenômeno extraordinário.
A capacidade do espírito de realizar modificações no corpo físico que o porta, está relacionada à sua vontade, a qual é superior ao desenvolvimento da matéria que utiliza no momento de sua expressão. Toda e qualquer alteração na matéria que reveste a individualidade está vinculada à vontade do espírito, embora esse processo ainda não seja plenamente compreendido pela ciência, que necessita de mais elementos para estabelecer um raciocínio lógico dentro do conhecimento científico atual. O espírito é quem possui autoridade e capacidade para realizar modificações no corpo físico, uma vez que este é apenas um instrumento utilizado para colaborar no desenvolvimento evolutivo da individualidade.
Desta forma podemos destacar que o conceito de fagulha divina como portadora de sabedoria e suprema autoridade sobre a matéria soa como hierarquia espiritual. A matéria serve como meio de aprendizagem e evolução, enquanto o espírito é quem a organiza e direciona, podendo intervir de forma instantânea, como demonstrado pelos fenômenos considerados “milagres”. Essa relação sugere que o desenvolvimento físico não é apenas uma consequência mecânica, mas também uma manifestação da vontade espiritual.
4- No plano físico existem condições necessárias para que a individualidade faça o seu aprendizado evolutivo. Até que ponto as religiões podem servir como base de orientação para a caminhada das individualidades rumo a perfeição?
A religião teve seu início na pré-história, entre os períodos Paleolítico e Neolítico, com os primeiros ritos de enterro de mortos e a construção de altares rudimentares, por volta de 40.000 a.C. e 30.000 a.C. Essa crença no sobrenatural e na vida após a morte evoluiu ao longo do tempo, resultando no desenvolvimento de sistemas religiosos mais complexos, como as religiões politeístas da Antiguidade e, posteriormente, religiões monoteístas e organizadas, como o Hinduísmo e o Judaísmo.
Os primeiros seres humanos já possuíam uma consciência espiritual, manifestada por meio de enterros elaborados com objetos pessoais, o que sugeria crenças em uma vida após a morte. Também havia reverência aos animais (totemismo) e a atuação de xamãs como intermediários entre o mundo natural e o sobrenatural. Essas práticas refletiam uma tentativa de entender e estabelecer uma relação com as forças da natureza e os mistérios da vida e da morte. Com a sedentarização e o surgimento das primeiras civilizações, as crenças religiosas tornaram-se mais complexas. Por volta de 3500 a.C., os registros evidenciam a predominância de religiões politeístas, nas quais as pessoas acreditavam em múltiplos deuses. O desenvolvimento da escrita possibilitou o registro de textos sagrados, o que contribuiu para a formação de religiões organizadas, como o Hinduísmo, representado por textos como os Vedas, datados de aproximadamente 1500 a.C., e o Judaísmo, cuja principal escritura é a Torá.
Posteriormente, no século I, na Palestina (atual região do Oriente Médio), surgiu uma nova religião com base nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, um judeu aclamado como Filho de Deus. Jesus foi entregue a crucificação por seu próprio povo, com o auxílio dos dirigentes romanos, e, segundo a crença na sua ressurreição, foi o fato que inspirou seus seguidores a formar um movimento. Apesar das perseguições do Império Romano, esse movimento expandiu-se rapidamente, tornando-se a religião com mais fiéis no mundo e influenciando significativamente a história e a cultura ocidental.
Para os seguidores de Jesus, Ele foi enviado por Deus para divulgar o amor, a compaixão e a salvação da humanidade. Jesus era um profeta judeu que pregava em diversas regiões da Palestina, realizando milagres e ensinando a palavra de Deus. Sua mensagem de igualdade e amor, fundamentada nas Escrituras Sagradas, atraiu muitos seguidores, o que o tornou uma ameaça às autoridades romanas da época. Após sua crucificação e ressurreição, conforme testemunham seus apóstolos, iniciou-se a divulgação de seus ensinamentos, formando assim a base do movimento cristão nascente.
As primeiras comunidades de seguidores de Cristo, chamadas de “cristãos”, surgiram em diversas cidades, como Antioquia, onde o termo foi utilizado pela primeira vez. No início, os cristãos foram perseguidos pelo Império Romano; no entanto, em 313 d.C., o imperador Constantino legalizou a religião por meio do Édito de Milão. A partir dessa legalização, o cristianismo espalhou-se rapidamente e tornou-se a religião oficial do Império Romano. Essa religião teve um papel fundamental na formação da sociedade ocidental, influenciando a cultura e a formação das nações.
Ao longo da história, o cristianismo passou por diversas divisões, como o Cisma do Oriente, ocorrido em 1054, que dividiu a Igreja Cristã em Católica Romana e Ortodoxa, e a Reforma Protestante, no século XVI, que deu origem a diferentes denominações e igrejas. Em 1517, um monge agostiniano chamado Martinho Lutero, insatisfeito com a forma como os responsáveis pela doutrina e as práticas dentro do papado conduziam a Igreja, elaborou suas 95 teses, propondo um novo caminho em relação ao que era pregado na igreja sob a autoridade papal.
Após a Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero em 1517, outras denominações religiosas passaram a se formar devido às cisões com a Igreja Católica Romana e ao surgimento de novas correntes de pensamento cristão, como o calvinismo e o anglicanismo. Essa divisão do cristianismo no Ocidente deu origem a diversas igrejas e teologias, impulsionadas por líderes como João Calvino. A Igreja Católica reagiu a essas mudanças por meio da Contrarreforma, um processo de reforma interna e reafirmação de seus dogmas, que contestou e combateu as inovações protestantes.
A finalidade das religiões é orientar seus fiéis a conhecerem melhor a si mesmos e, assim, viverem buscando o caminho do bem. Cada religião possui suas características específicas, mas, no fundo, há uma tendência de impor, por meio de hierarquias ou escalonamentos, a interpretação que elas oferecem acerca do significado dos ensinamentos cristãos. Dessa forma, alguém deseja que o fiel aja de acordo com sua vontade ou com o que considera correto, com base em seu entendimento.
Embora as religiões possam, em determinados casos, ajudar o ser humano a buscar mais informações sobre como viver de maneira mais equilibrada, sem problemas de comportamento, elas também funcionam, em certos aspectos, como orientadoras de condutas sociais, de acordo com seus preceitos.
Nos dias atuais, com a quantidade de informações disponíveis, surgem oportunidades de compreender melhor a realidade da vida, a criação divina e o desenvolvimento humano. Novas descobertas e conhecimentos sobre esses temas aparecem constantemente, e aqueles dispostos a estudá-los encontram diferentes formas de conduzir sua jornada, muitas vezes sem depender exclusivamente dos ensinamentos de religiões específicas. Dessa maneira, surgem comportamentos que não seguem necessariamente o que as religiões pregam. É importante levar em consideração o livre-arbítrio, concedido pelo Criador a cada criatura, para que ela possa seguir seu próprio entendimento e não ficar restrita às determinações religiosas sobre o que é a realidade.
No passado, era muito difícil realizar um estudo mais aprofundado; por isso, quando se encontrava alguém que explicasse os meandros da criação divina, era o melhor a fazer. Atualmente, com a facilidade de acesso ao conhecimento, muitas vezes o participante de uma determinada religião discorda de certas orientações sobre como agir e o que pensar em relação à criação divina e ao seu próprio papel nela. Por isso, acredita-se que a religião transmite algumas informações corretas sobre como agir, mas nem sempre o fiel as cumpre. Isso ocorre porque ele não entende que aquelas orientações representam o caminho certo a seguir, e que pode agir de maneira diferente buscando praticar seus atos do dia a dia dentro dos ditames da lei da harmonia. Tudo isso está relacionado ao livre-arbítrio de cada indivíduo, o qual foi permitido pelo próprio Criador.
Dessa forma, podemos concluir que a religião foi iniciada pelo ser humano com o intuito de compreender quem ele é e qual o seu propósito neste planeta, na expectativa de estabelecer uma ligação com o Divino. Essa conexão poderia lhe proporcionar uma orientação diferenciada para conduzir sua vida, tanto em relação a si mesmo quanto perante os demais membros da sociedade em que vive. É evidente que cada povo possui seus costumes, muitos dos quais têm origem nas regras de uma determinada religião. Portanto, é importante reconhecer que cada religião possui seus méritos, mas também apresenta pontos negativos no que diz respeito à evolução humana, que é fundamental para a conduta que levará todos os seres humanos ao encontro da perfeição.
Cada religião orienta seus fiéis sobre como agir para fazer o que é considerado certo, de acordo com seus ensinamentos. Esses ensinamentos, por sua vez, refletem o entendimento dos seus líderes e mestres. No entanto, como já foi mencionado, nem tudo o que uma religião prega constitui toda a verdade. Atualmente, existem, como já afirmamos, uma infinidade de religiões, e cada uma delas possui sua própria interpretação acerca da divindade, do ser humano e de como deve trilhar esse caminho para agir de maneira mais adequada.
Devido à diversidade de religiões existentes na humanidade, ainda não é possível determinar, com certeza, qual é a conduta mais correta a ser adotada durante a permanência no corpo físico, uma vez que as pessoas continuam a se orientar principalmente por suas crenças religiosas. Quando Deus criou o ser humano, dotou-o de livre arbítrio, permitindo que cada indivíduo escolha o que considera melhor para si. É fundamental que cada pessoa esteja atenta às consequências de suas ações, pois elas indicarão qual é a postura mais adequada a ser tomada. As religiões, de fato, possuem importância para os seres humanos, pois apresentam diversos preceitos que auxiliam os componentes de uma sociedade a terem um mínimo de conhecimento sobre como agir dentro dela.
Porém, na atual conjuntura de estudos científicos mais aprofundados sobre o percurso da humanidade na Terra, é evidente que as religiões nem sempre possuem a capacidade de orientar adequadamente seus adeptos a encontrar a melhor forma de praticar seus atos cotidianos, visando uma convivência mais harmoniosa no mundo familiar e social. Existe uma lei fundamental na constituição do universo, chamada lei da harmonia, que determina o que deve ser feito para que se trilhe o melhor caminho rumo à perfeição, a qual representa o ápice da vontade divina para tudo o que existe.
Criado o universo, seu destino é o aperfeiçoamento, e, por isso, todas as individualidades buscam esse objetivo, cada uma à sua maneira ou com o auxílio, muitas vezes, de religiões ou meios científicos. No entanto, muitas dessas individualidades não conseguem atuar de maneira adequada dentro das regras da lei da harmonia. Isso implica que uma parte delas, ao praticar atos contrários a essas regras, acaba formando uma corrente de indivíduos que, no planeta, promovem interferências em seu funcionamento. Essas interferências levam a reações semelhantes às ações que os atingiram, especialmente aquelas praticadas por indivíduos que, de forma insensata, agrediram a criação divina. Vale ressaltar que toda a criação está regida e segue rigidamente as regras da lei da harmonia.
Existe uma determinação de que, para cada ação, há uma reação. Dessa forma, a natureza que é a composição do planeta e possui sua partícula divina, pela qual é direcionada, responde às agressões de maneira a promover a sua reestruturação. Essa reação pode, possivelmente, tornar o planeta impróprio para que as individualidades, como são atualmente, continuem a usufruir de seus préstimos.
Dessa forma, podemos afirmar que o planeta está seguindo esse rumo, o que já está previsto em diversos escritos, inclusive na Bíblia, acerca de uma renovação da Terra, justamente por causa desses problemas. Algumas individualidades que aprenderam a viver de acordo com a lei da harmonia permanecerão no planeta, pois não mais utilizarão o corpo físico do modo como o fazem atualmente. Já aqueles que ainda não aprenderam a agir de acordo com as regras da lei da harmonia serão afastados do planeta e conduzidos a outro planeta onde continuarão seu processo de aprendizado. Nesse novo ambiente, poderão utilizar o corpo físico para perceber as reações de seus atos, permitindo assim a continuidade de sua jornada rumo à perfeição.
Resumindo, podemos estabelecer que as religiões tiveram sua origem na pré-história, com os primeiros rituais de enterro e reverência aos elementos naturais, indicando uma consciência espiritual preexistente. Com o desenvolvimento das civilizações, as crenças se tornaram mais estruturadas, levando à formação de sistemas politeístas, monoteístas e religiões organizadas, como o Hinduísmo, Judaísmo e Cristianismo. Esses sistemas religiosos buscavam compreender a relação do ser humano com o divino, a vida após a morte e as forças da natureza, refletindo uma tentativa de estabelecer sentido e orientação na existência. As religiões oferecem preceitos, códigos morais e doutrinas que orientam seus fiéis a buscar uma vida moral, ética e, muitas vezes, espiritual. Elas funcionam como guias sociais, reforçando valores de convivência, respeito, amor ao próximo e busca pelo bem maior. Contudo, há limitações: os ensinamentos muitas vezes são interpretados de formas diversas, influenciados por lideranças, interesses culturais ou políticos, o que pode gerar divergências e conflitos internos e externos.
Além de tudo, logramos dizer que o conceito de livre-arbítrio é fundamental na relação entre o indivíduo e sua jornada espiritual. Muito embora as religiões proponham caminhos e orientações, cada pessoa possui autonomia para escolher seu percurso. Por isso, a compreensão e o entendimento profundo das doutrinas são essenciais para que as ações estejam alinhadas com a lei da harmonia universal.
Outra coisa, as religiões, apesar de auxiliarem na orientação moral e espiritual, nem sempre conseguem conduzir o indivíduo à verdadeira perfeição, pois suas interpretações podem variar e algumas podem limitar a autonomia do fiel. Além disso, o avanço do conhecimento científico e a expansão da consciência individual proporcionam novas formas de compreensão da criação, muitas vezes divergentes das doutrinas religiosas tradicionais.
Falamos que o universo opera sob a lei da harmonia, na qual cada ação gera uma reação, e o progresso rumo à perfeição é o objetivo último de todas as individualidades. As interferências humanas, como atitudes contrárias às regras da harmonia, provocam reações que podem prejudicar o planeta e o próprio processo evolutivo. Isso pode ser observado que a crise atual do planeta, incluindo problemas ambientais e sociais, é vista como consequência dessas ações desarmoniosas.
Concluindo estamos afirmando que as individualidades que não aprenderem a agir de acordo com a lei da harmonia serão afastadas do planeta e terão novas oportunidades em outros ambientes planetários. Essa perspectiva reforça a ideia de que o aprendizado é contínuo e que a evolução não ocorre apenas neste planeta, mas em múltiplas esferas de existência.
5- O que vem a ser energia sexual na construção universal?
A energia sexual a que se refere é um desdobramento da Força Cósmica Universal, proveniente da potencialidade do Criador. Essa energia constitui a base de sustentação do desenvolvimento do universo e manifesta-se de diversas formas. Uma dessas manifestações como o próprio nome diz, é a denominada energia sexual; outra é o campo energético presente em cada individualidade.
A energia sexual é uma manifestação da força cósmica universal, como já afirmado, e tem a responsabilidade de dar início a uma nova individualidade. Por outro lado, a energia denominada campo energético é a parcela da força cósmica universal que regula o desenvolvimento das individualidades, desde o seu início até que se aperfeiçoem o suficiente para que a fagulha divina retorne ao Criador, colaborando assim com Sua expansão.
A energia sexual, impulsionada pela força cósmica universal, faz com que dois elementos presentes na matéria, estruturados desde o início de um universo, se unam com o objetivo de formar uma nova individualidade. Essa formação é a receita utilizada para criar novas individualidades, com o propósito de expandir o Espírito do Criador.
Em cada fase do desenvolvimento do universo, essa energia pode ser percebida de diferentes formas. Durante a sua estruturação, ela surge da conjugação da fagulha divina com o elemento primordial, que se transforma em matéria estruturada. A partir desse momento, ela passa a fazer parte da matéria organizada e se manifesta por meio de ordenamentos dualísticos, responsáveis pela formação dos astros, logo no início do universo, conhecido como Big Bang.
Esta matéria, à qual nos referimos, teve início com a energia sexual, inicialmente formada pela união da fagulha divina e do elemento primordial. Dessa forma, ela pode ser vista como composta por dois elementos que dão origem a um universo: a fagulha divina, no instante da formação, e o elemento primordial. Posteriormente, a energia sexual continuará a atuar na formação de novas individualidades. É importante salientar que, em todo e qualquer processo de criação de novas individualidades, sempre existirão dois elementos destacados dentro da matéria, os quais se unem por meio da energia sexual para dar origem às novas individualidades.
Como já mencionamos, a energia sexual é responsável por determinar a criação de novas individualidades, iniciando-se na formação do universo. Posteriormente, ela continua atuando no reino mineral, ativando elementos duplos que colaboram na construção de novas individualidades, processo que persiste até que, com seu aperfeiçoamento, essas individualidades originem o reino vegetal. A partir do aprimoramento das individualidades do reino vegetal, surge, então, o reino animal.
Também é importante salientar que toda e qualquer formação de uma nova individualidade é orientada pelo programa instintivo, que se desenvolve juntamente com as próprias individualidades. Conforme elas evoluem, esse programa determina de que maneira podem se multiplicar. No reino mineral, duas células minerais se unem para formar uma terceira; no reino vegetal, de forma similar, duas células se unem para originar uma nova individualidade. Nesse caso, geralmente, uma flor e um pólen, órgãos masculino e feminino, se combinam, resultando na formação de um fruto que contém a semente, a qual dará origem a uma nova individualidade.
Falando agora do reino animal, podemos destacar que se trata de indivíduos com maior ação e, portanto, mais necessitados de regras de comportamento. Enquanto isso, no reino animal, seus indivíduos, ao não atingirem o livre arbítrio, são guiados para a reprodução através do acasalamento. O acasalamento, nesse contexto, costuma ser estimulado por fatores específicos. A fêmea libera hormônios que indicam ao macho que ela está pronta para o ato, cujo ato conduz à elaboração de uma nova individualidade. Normalmente, esse acasalamento é incentivado por sensações mútuas, recebidas um pelo outro, que favorecem a ocorrência do ato e o resultado dessa união.
Quando um representante do reino animal adquire o livre arbítrio, passa a ter a oportunidade de controlar as regras de seu próprio programa instintivo. Consequentemente, começa a perceber melhor as sensações decorrentes de suas ações. No que diz respeito às sensações geradas pelo acasalamento, essas lhe apresentam um novo mistério para continuar vivendo ao lado de seu parceiro, ou seja, fêmea e macho. Por causa dessa maior percepção das sensações agradáveis durante o acasalamento, um passa a exercer maior domínio sobre seu parceiro.
Quando a individualidade desenvolveu um raciocínio mais elaborado, passou a ser reconhecida como ser humano. No início desse período, a individualidade feminina ainda mantinha o domínio sobre o seu parceiro masculino, uma vez que ela era responsável pelo cuidado dos filhos, enquanto ele saía de casa para buscar o alimento para ambos. Esse cuidado era realizado até um determinado momento, até que o filho pudesse cuidar de sua própria subsistência. Com o passar do tempo, o homem passou a exercer domínio sobre a mulher, mesmo ela tendo a responsabilidade de cuidar dos filhos. Essa dinâmica ainda persiste nos dias atuais, evidenciando a presença do machismo e do domínio exercido sobre a parceira.
Concluindo, podemos afirmar que a visão da sexualidade nos dias atuais não corresponde à realidade plena, pois o ser humano a encara predominantemente como uma fonte de prazer. Esse prazer, de fato, existe e é gerado com o propósito, desde tempos imemoriais como uma motivação de atração para que haja corpos físicos, permitindo destarte, que os espíritos os utilizem como instrumentos para seu aprendizado e evolução. Além disso, é importante destacar que o sexo também tem a finalidade de fortalecer e consolidar o vínculo do amor.
Por fim, tudo isso apresenta uma perspectiva filosófica e espiritual sobre a energia sexual, relacionando-a com a Força Cósmica Universal e o processo de criação e evolução do universo e das individualidades. Essa energia sexual é uma manifestação da força cósmica universal, não sendo apenas uma força física, mas uma expressão da potencialidade do Criador.